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Venda de pescados deve cair 20% nesta Páscoa, diz Abipesca

por Alexandro Zinho
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Devido à perda do poder de compra, consumidor deve optar por espécies semelhantes e mais baratas, que chegam a custar 40% menos que produtos tradicionais.

As vendas de peixes e pescados devem ter uma queda de 20% nesse feriado de Páscoa, na comparação com o ano passado. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), a perda do poder de compra tem redefinido as escolhas de consumo das famílias, que optam por produtos semelhantes aos tradicionalmente consumidos na data.

Segundo a Abipesca, o consumidor tem optado por itens de menor qualidade, como no caso do bacalhau, em que a venda de lascas ou espécies semelhantes cresceram – uma economia que chega a 40%.

O diretor da Abipesca, Christiano Lobo, explica que o pessimismo com as vendas fez com que 30% da produção do setor ficasse estocada nas câmaras frias, longe do alcance do consumidor.

“Esse comportamento já era sentido antes, até mesmo na substituição de proteínas. No período de quaresma, o consumidor não comprou tanto peixe quanto de costume, recorrendo à carne de frango. Por outro lado, as classes E e D consumiram mais pescados em conserva, muitas vezes, a única proteína possível de subsidiar”, afirmou.

Ainda segundo o diretor da Associação, esse é o terceiro ano de queda em vendas desde a pandemia. O setor esperava uma recuperação neste ano, entretanto, o impacto da inflação no consumo das famílias não permitiu o aumento das vendas.

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), além do desemprego, o número de trabalhadores que recebem até um salário-mínimo cresceu, enquanto os que possuem uma renda maior do que um salário, sofreu uma forte redução.

O economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), explica que com a diminuição do rendimento médio, as famílias vão optar por produtos mais baratos.

“Como o rendimento médio encolheu, o consumidor já vai ter dificuldade de adquirir o básico, quem dirá um alimento especial. O preço dos alimentos tradicionais de Páscoa, como azeite e bacalhau, nem subiram muito de preço, mas são mais caros que a média dos alimentos mais comuns”, afirma Braz.

O especialista ressalta ainda que o aumento no custo de produção dos pescados tem sido diretamente influenciado pela alta no peço do combustível e da energia elétrica.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a inflação acumulada nos último doze meses está em 11,3%. Em abril do ano passado, o índice acumulado estava em 6,5%.

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