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Safra de cebola 2026/27 exige manejo reforçado contra doenças com avanço das chuvas e umidade no Sul

por administrador
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Previsão de maior umidade e chuvas no Sul do Brasil aumenta a preocupação com míldio e mancha-púrpura; monitoramento e manejo preventivo ganham importância para preservar produtividade e qualidade dos bulbos

A safra de cebola 2026/27 entra em uma etapa decisiva para os produtores, especialmente diante das perspectivas de maior ocorrência de chuvas e aumento da umidade no Sul do Brasil. Com a influência esperada do El Niño, as condições climáticas podem favorecer o desenvolvimento de doenças fúngicas e elevar a necessidade de estratégias preventivas nas lavouras.

O cenário exige atenção principalmente em regiões produtoras de Santa Catarina, onde a cebolicultura tem forte presença e onde períodos de elevada umidade, menor luminosidade e temperaturas favoráveis podem aumentar a pressão de doenças foliares.

Entre os principais problemas fitossanitários estão o míldio, causado por Peronospora destructor, e a mancha-púrpura, provocada por Alternaria porri.

Para Guilherme Ogata, líder de Portfólio de Café, Citros e Hortifrúti da Corteva Agriscience no Brasil, as condições climáticas previstas reforçam a necessidade de planejamento do manejo durante todo o ciclo.

El Niño aumenta atenção sobre doenças na cebola

A cebola é uma cultura particularmente sensível às condições ambientais. Em períodos de chuva frequente e elevada umidade, o ambiente pode se tornar favorável à instalação e ao avanço de doenças que comprometem a área foliar.

“Na cultura da cebola, períodos de elevada umidade e menor luminosidade podem favorecer o desenvolvimento de doenças foliares, exigindo que o produtor esteja atento não apenas ao momento da aplicação, mas também à estratégia de manejo adotada durante todo o ciclo”, explica Ogata.

O míldio está entre as doenças que mais preocupam os produtores. O patógeno Peronospora destructor pode comprometer a área foliar e reduzir a capacidade da planta de realizar fotossíntese, afetando diretamente o desenvolvimento dos bulbos.

A mancha-púrpura, causada por Alternaria porri, também representa um desafio importante para a cultura, especialmente quando as condições ambientais favorecem a evolução da doença.

Área foliar é determinante para formação dos bulbos

O controle sanitário tem relação direta com o potencial produtivo da cebola.

Quando as folhas são severamente afetadas por doenças, a planta perde área fotossintética justamente em fases importantes do desenvolvimento. Como consequência, pode ocorrer redução do tamanho dos bulbos, além de impactos sobre a qualidade e o padrão comercial da produção.

Por isso, o manejo não deve ser baseado exclusivamente na aplicação de fungicidas após o surgimento dos primeiros sintomas.

O acompanhamento das condições meteorológicas, a inspeção frequente das plantas e a adoção de medidas preventivas são fundamentais para antecipar situações de maior risco.

Santa Catarina concentra importante parcela da produção brasileira

A cebola está entre as principais hortaliças cultivadas no Brasil e movimenta uma ampla cadeia produtiva, que envolve produtores, trabalhadores, fornecedores de insumos, distribuidores e comerciantes.

Dados consolidados da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM/IBGE) apontam que o Brasil produziu aproximadamente 1,68 milhão de toneladas de cebola em 2024, em uma área próxima de 49,4 mil hectares, com produtividade média de aproximadamente 34 toneladas por hectare.

A produção está concentrada principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

Santa Catarina ocupa posição de destaque, especialmente nas áreas de Ituporanga e do Vale do Itajaí. Também apresentam participação relevante na produção nacional estados como Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Minas Gerais, além da Bahia, no Nordeste.

Manejo preventivo ganha importância em anos de maior pressão

Em um cenário de maior umidade, o monitoramento da lavoura passa a ser uma das principais ferramentas para reduzir riscos.

Entre as medidas recomendadas para o manejo estão:

  • acompanhamento frequente das condições climáticas;
  • monitoramento da presença de sintomas na lavoura;
  • adoção de boas práticas agrícolas;
  • planejamento antecipado das aplicações;
  • utilização de produtos registrados para a cultura;
  • rotação de mecanismos de ação;
  • integração de diferentes ferramentas de controle.

A combinação dessas estratégias ajuda a reduzir a pressão das doenças e também contribui para preservar a eficiência dos fungicidas ao longo das safras.

Fungicida é registrado para míldio e mancha-púrpura

Entre as tecnologias disponíveis para o manejo da cultura está o Zorvec® Encantia®, fungicida da Corteva Agriscience registrado no Brasil para o controle de míldio e mancha-púrpura na cebola.

Segundo a empresa, o produto combina os ingredientes ativos oxatiapiprolina e famoxadona, com ação sistêmica e características de controle preventivo.

A recomendação técnica destacada pela companhia é posicionar a ferramenta preferencialmente nas fases iniciais da cultura e antes do aparecimento dos primeiros sintomas, sempre de acordo com as recomendações oficiais.

Para a cebola, a indicação de uso prevê até três aplicações por ciclo, com intervalo de sete dias, respeitando obrigatoriamente as informações de bula, a receita agronômica e a orientação de profissional habilitado.

Rotação de mecanismos de ação ajuda a preservar eficiência

O controle de doenças não depende de uma única tecnologia. Em programas de manejo integrado, a rotação de diferentes mecanismos de ação é uma das estratégias utilizadas para reduzir o risco de seleção de populações resistentes dos patógenos.

A recomendação ganha importância em cenários de elevada pressão de doenças, nos quais aplicações repetidas de uma mesma ferramenta podem aumentar o risco de perda de eficiência ao longo do tempo.

Por isso, o planejamento deve considerar todo o ciclo da cultura e combinar diferentes medidas de controle, sempre de acordo com as recomendações técnicas e regulatórias.

Produtor precisa antecipar decisões na safra 2026/27

Para Guilherme Ogata, as oscilações climáticas exigem que o produtor esteja preparado para adaptar o manejo rapidamente.

“Para o produtor, o desafio é equilibrar produtividade, qualidade e custo em um cenário no qual as condições climáticas podem mudar rapidamente”, ressalta.

Segundo o executivo, em períodos de maior pressão de doenças, a estratégia não deve esperar o aparecimento dos sintomas para começar a ser estruturada.

O acompanhamento das previsões meteorológicas e das condições da lavoura permite identificar momentos de maior risco e posicionar as ferramentas de proteção de acordo com a necessidade da cultura.

Manejo da cebola será decisivo para proteger produtividade

A combinação entre El Niño, chuvas, umidade e ocorrência de doenças foliares coloca o manejo fitossanitário entre os principais pontos de atenção da safra de cebola 2026/27.

Para o produtor, o desafio será proteger a área foliar durante o desenvolvimento da cultura sem perder de vista custos, qualidade e produtividade.

Com monitoramento constante, planejamento das aplicações, rotação de mecanismos de ação e adoção de boas práticas agrícolas, a estratégia de manejo pode contribuir para reduzir os impactos do míldio e da mancha-púrpura e preservar o potencial produtivo das lavouras.

Fonte: Portal do Agronegócio

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