A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi eleita nesta sexta-feira (24/3), por unanimidade, presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês), o Banco dos Brics.

Dilma deve tomar posse no cargo no dia 29, durante a viagem do presidente Lula à China. A instituição é gerida pelos cinco países que formam o bloco: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Os países membros do bloco se revezam na liderança do banco. O mandato brasileiro acaba em julho de 2025.
“Em 24 de março de 2023, o Conselho de Governadores do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) elegeu por unanimidade H.E. Sra. Dilma Vana Rousseff como Presidente do Banco, com vigência imediata, em total conformidade com o Contrato Social do Novo Banco de Desenvolvimento e os procedimentos de eleição do Presidente”, diz nota oficial do NDB.
Ela assume o comando do NDB em Xangai, com salário superior a R$ 290 mil. A expectativa é de que a posse de Dilma seja na próxima quarta-feira (29/3), quando a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estará na China.
A petista se reuniu virtualmente nos últimos dias com ministros das Finanças dos países do Brics, entre eles o também petista ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Os líderes compõem Conselho de Governadores do NDB, maior instância decisória do banco e são responsáveis por decidir a liderança da instituição.
Dilma volta a cargo público sete anos após impeachment
A eleição de Dilma para o Banco dos Brics marca o retorno da petista a um cargo público, sete anos após ela ter sido afastada da Presidência da República, em decorrência de crimes de responsabilidade.
A ex-presidente teve o impeachment aprovado pela Câmara e pelo Senado pela prática das chamadas “pedaladas fiscais” (atrasos de pagamentos a bancos públicos) e pela edição de decretos de abertura de crédito sem a autorização do Congresso.
O banco dos Brics foi criado após reunião de cúpula dos chefes de Estado, realizada em Fortaleza, em 2014, durante o mandato de Dilma como presidente. Uma das intenções era ampliar fontes de empréstimos e fazer um contraponto ao sistema financeiro e instituições multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI). Atualmente, a carteira de investimentos é da ordem de US$ 33 bilhões.
A sede do banco fica num prédio em Xangai, onde Dilma passará a morar e a despachar no novo e moderno edifício construído para abrigar o NDB, inaugurado em 2021.
