Home Agronegócio Restrição na oferta de feijão sustenta preços, mas demanda ainda não confirma novo patamar

Restrição na oferta de feijão sustenta preços, mas demanda ainda não confirma novo patamar

por administrador
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O mercado do feijão carioca encerra a semana com firmeza seletiva, marcada menos pela expansão da demanda e mais pela escassez relativa dos padrões superiores. Segundo o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, os comerciais 7,5 e 8 de cor encontraram negócios entre R$ 290 e R$ 310 por saca (sc) CIF São Paulo, mas em volumes reduzidos, enquanto R$ 340/sc começa a ganhar força como referência dos lotes premium.

“Essa abertura de diferenciais revela um mercado mais segmentado: qualidade, peneira, aspecto, umidade e rendimento passaram a determinar o preço efetivamente negociado”, observa Oliveira.

O produtor permanece tranquilo, sustentado pela retenção na fonte e pela ausência de necessidade imediata de caixa, evitando concessões. Do outro lado, os empacotadores seguem cautelosos, comprando conforme a reposição de margem e a necessidade de estoque, sem antecipar aquisições em níveis elevados. As referências entre R$ 330 e R$ 340/sc observadas no Brás ainda precisam de validação consistente, em um cenário no qual a oferta física permaneceu limitada.

No preço na origem (FOB), Goiás trabalha entre R$ 285 e R$ 295/sc, Minas Gerais entre R$ 295 e R$ 305/sc e o interior de São Paulo entre R$ 330 e R$ 335/sc para extra nota 9 ou superior.

“No curto prazo, a tendência é de firmeza, com potencial de nova reprecificação nos melhores lotes caso a reposição industrial acelere”, avalia o analista.

Sem esse gatilho, a liquidez continuará amarrada e os diferenciais permanecerão elevados nas próximas sessões de negociação industrial.

Feijão preto perde suporte das exportações e demanda limita novas altas
O mercado do feijão preto mantém uma estrutura firme, embora com diferenças regionais. No Paraná, o extra Tipo 1 trabalha entre R$ 225 e R$ 230/sc, enquanto Santa Catarina indica R$ 230 a R$ 235/sc. A oferta ajustada reduz a margem para pressão compradora, enquanto os produtores demonstram resistência e os empacotadores priorizam compras para reposição de margem.

A acomodação em Santa Catarina merece acompanhamento, mas ainda não caracteriza uma mudança estrutural, pois o Paraná permanece sustentado e a disponibilidade regional continua curta.

No comércio externo, Oliveira destaca que o avanço das exportações brasileiras de feijão em 2026 não deve ser interpretado automaticamente como aumento da demanda pela variedade preta. O crescimento esteve fortemente concentrado no mungo, tendo a Índia como principal destino.

“A drástica retração de 65,5% nas exportações de feijão preto retirou a importante válvula de escape do mercado nesta temporada”, aponta o analista.

Confinada a uma demanda doméstica geograficamente restrita ao Sul e a poucos estados, a oferta perdeu seu suporte altista, tornando a acomodação das cotações um movimento inevitável. Assim, o efeito direto do crescimento das exportações sobre o feijão preto permanece limitado.

No curto prazo, a firmeza tende a prevalecer, condicionada à reposição industrial e à disponibilidade nas praças produtoras. Se os compradores acelerarem as aquisições, a oferta curta poderá sustentar novos patamares.

“A leitura de curto prazo exige separar disponibilidade física, qualidade, preços efetivamente fechados e fluxo externo”, conclui Oliveira.

Com informações: Agência Safras

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