Dourados, Ponta Porã, Bela Vista, Antônio João, Amambai e Laguna Carapã passam a integrar estratégia federal de combate ao crime organizado na faixa de fronteira com o Paraguai
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) incluiu seis cidades de fronteira de Mato Grosso do Sul em um programa federal voltado ao combate às facções criminosas e ao fortalecimento da segurança em regiões estratégicas próximas à divisa com o Paraguai.
A medida contempla municípios considerados sensíveis pelas forças de inteligência devido à atuação do tráfico internacional de drogas, contrabando e organizações criminosas.
A criação do programa de combate ao crime organizado foi uma exigência feita pelo presidente dos EUA, Donald Trump, durante a reunião que durou 3 horas na Casa Branca no último dia 7, com mandatário brasileiro.
O programa surge no momento em que Trump tem interesse em classificar facções criminosas como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações criminosas, possibilidade que é rechaçada pelo governo petista.
Temendo uma investida do governo norte-americano, Lula determinou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública a gastar R$ 209 milhões para atender 42 municípios distribuídos em seis estados brasileiros.
Trata-se do programa Território Seguro: Amazônia Soberana, iniciativa coordenada pela pasta para fortalecer o combate ao crime organizado em áreas consideradas estratégicas para a segurança nacional.
Entraram na lista Dourados, Ponta Porã, Bela Vista, Antônio João, Amambai e Laguna Carapã. As cidades estão situadas em regiões próximas à fronteira com o Paraguai e aparecem com frequência nos mapas de inteligência ligados ao tráfico internacional de drogas, armas, contrabando e atuação de facções criminosas.
Rota do tráfico de drogas
Mato Grosso do Sul, historicamente citado no noticiário nacional por rotas do tráfico de drogas, contrabando de armas e circulação de mercadorias ilegais na faixa de fronteira com o Paraguai e a Bolívia, voltou ao centro das discussões sobre segurança pública após o governo federal incluir seis municípios do Estado em um novo programa de combate ao crime organizado.
As cidades sul-mato-grossenses contempladas ficam em regiões próximas à fronteira com o Paraguai e aparecem frequentemente em relatórios de inteligência ligados ao tráfico internacional de drogas, armas, cigarros contrabandeados e atuação de organizações criminosas como o PCC e o CV.
Há décadas, Mato Grosso do Sul convive com operações policiais de grande repercussão nacional envolvendo apreensões de drogas, rotas clandestinas e disputas entre facções pelo controle territorial na faixa de fronteira. Municípios como Ponta Porã e Dourados já foram alvo de diversas ações da Polícia Federal, da Receita Federal e das forças estaduais de segurança devido à posição estratégica na entrada de entorpecentes vindos do Paraguai.
Além do reforço policial, o programa prevê integração entre forças de segurança, ampliação do monitoramento de fronteiras, inteligência operacional e atuação conjunta entre União, estados e municípios para tentar reduzir o avanço das facções criminosas nessas regiões.
