Três conselheiros foram apontados no esquema de corrupção no Estado.
A Corte Especial do STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu na tarde desta quarta-feira (15) negar recurso para que os três conselheiros do TCE-MS (Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul) afastados dos cargos por suspeita de desvio de dinheiro público retornassem as funções e deixassem de ser monitorados por tornozeleiras eletrônicas.
A ação cautelar inominada criminal apresentada pelos advogados de defesa dos conselheiros Iran Coelho das Neves, Ronaldo Chadid e Waldir Neves Barbosa foi negada por unanimidade pelos ministros da Corte Especial do STJ.
Os três estão afastados das funções desde 8 de dezembro de 2022, quando uma força-tarefa formada pela Polícia Federal, Receita Federal e CGU (Controladoria-Geral da União) deflagrou a operação Terceirização de Ouro. A ação desarticulou um suposto esquema de desvio de recursos públicos por meio de fraude e superfaturamento em licitações e ainda lavagem do dinheiro.
Segundo a força-tarefa, além dos três conselheiros outros dois funcionários do TCE/MS e um ex-servidor do órgão fariam parte do suposto esquema. A investigação apontou que empresas “escolhidas” ganhavam as licitações do tribunal sem seguir as especificações necessárias e utilizando documentação falsa.
A Polícia Federal aponta que depois essas empresas devolviam aos envolvidos parte dos pagamentos.
Apenas uma das empresas envolvidas, a Dataeasy, que tem sede no Distrito Federal, recebeu, segundo as investigações da força-tarefa, mais de R$ 100 milhões do TCE/MS em licitações fraudulentas desde 2018.
Entre os gastos superfaturados, a força-tarefa descobriu, por exemplo, despesas de R$ 627 mil em doces apenas no mês de janeiro de 2019, pagos a uma confeitaria.
O afastamento dos conselheiros suspeitos dos cargos e o uso de tornozeleiras eletrônicas de monitoramento por um período de 180 dias foi determinado pelo próprio STJ.
Os advogados André Borges e Julicezar Barbosa, que representam o conselheiro Iran Coelho das Neves, lamentaram a decisão judicial. “Triste a decisão. A defesa continuará demonstrando que Iran Coelho das Neves é um conselheiro justo e honesto. A Justiça mais adiante certamente assim considerará”, apontaram.