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Pesquisas e mercado impulsionam o cultivo de trigo em Mato Grosso do Sul.

por Alexandro Zinho
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A ocasião, promovida pela Embrapa Agropecuária Oeste em parceria com a Cooperalfa, apresentou estudos e informações de mercado.

No dia 20 de agosto de 2025, a Embrapa Agropecuária Oeste junto à Cooperalfa organizaram um Dia de Campo dedicado ao trigo, reunindo produtores rurais e especialistas na sede da Embrapa, em Dourados-MS, para compartilhar conhecimentos sobre a cultura. Durante o evento matutino, foram exibidos dados fornecidos pela cooperativa e resultados de pesquisas realizadas pela Embrapa, tanto no auditório quanto na vitrine tecnológica. O foco foi discutir os obstáculos e as possibilidades para ampliar a produção na região de Mato Grosso do Sul e no bioma do Cerrado.

Na abertura do encontro, Auro Akio Otsubo, coordenador-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agropecuária Oeste, recordou que o trigo já teve grande destaque no estado, chegando a ocupar cerca de 400 mil hectares na década de 1980. Hoje, essa área é cerca de 40 mil hectares. “O maior desafio atualmente é elevar a produção, mas sem enxergar o cultivo isoladamente; é preciso integrar o trigo ao sistema produtivo como um todo”, enfatizou.

Claudiney Turmina, diretor da Cooperalfa, enfatizou a dependência do Brasil de importações externas, atualmente aproximadamente 40% do trigo consumido. Para ele, a solução está em avançar rumo à autossuficiência. “É crucial ampliar a produção no Cerrado. O cultivo de trigo precisa integrar um sistema produtivo sustentável. Nosso desafio é tornar essa cultura viável para os agricultores”, declarou.

O supervisor de produção da cooperativa, Luan Bernardi, apresentou os métodos utilizados na produção e os projetos especiais voltados para diferentes segmentos, como nutrição infantil, trigo melhorador e trigo confeiteiro. “Devemos estabelecer uma cadeia produtiva que garanta qualidade, pois atendemos multinacionais”, destacou.

Luan Pivatto, engenheiro agrônomo da Cooperalfa em Dourados, explicou o andamento do “Projeto Farinhas Especiais em Mato Grosso do Sul”, que oferece garantia de liquidez por meio de contratos, assistência técnica periódica nas lavouras e recomendações de cultivares com base em pesquisas realizadas pela Embrapa. “Já passam de quatro anos as pesquisas conduzidas pela Embrapa Agropecuária Oeste, avaliando cultivares, densidade e manejo agrícola. A cada ciclo temos progresso na melhora da produtividade e redução dos custos”, afirmou.

Ele também destacou que a cultura do trigo oferece benefícios adicionais,como aprimoramento do solo, ciclagem de nutrientes e diminuição da presença de plantas daninhas. “A produtividade da soja após o trigo pode chegar a um aumento de até 20%”, ressaltou.

O analista Bruno Lemos, da Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS), reforçou que o cultivo do trigo é uma excelente oportunidade de negócio e lembrou que a Embrapa desenvolveu um programa específico para o trigo tropical. “Estamos investindo em pesquisas e já disponibilizamos variedades mais resistentes à brusone, à seca e ao calor. No entanto, é essencial seguir a janela adequada de plantio para cada região. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, essa janela vai do final de abril até o começo de maio”, detalhou.

O pesquisador Claudio Lazzarotto, da Embrapa Agropecuária Oeste, apresentou resultados de avaliações feitas no campo experimental com cultivares da Embrapa e de outras empresas nos últimos três anos — período em que a região enfrentou temperaturas mais elevadas e clima mais seco que a média. Em 2022, as produções variaram entre 34 e 69 sacas por hectare; em 2023, entre 29 e 49 sacas; e em 2024, entre 51 e 88 sacas por hectare.

“Temos genética para produzir muito bem. No Programa Alfa, temos seis cultivares com potencial de 4 a 5 mil kg/ha”, afirmou, acrescentando que “o sistema produtivo está sendo aperfeiçoado”. Hoje, a média no Estado é de cerca de 3 mil kg/ha.

Segundo Lazzarotto, dois experimentos de campo estão em andamento na Embrapa Agropecuária Oeste para avaliar diferentes formas de aplicação de nitrogênio no solo. O objetivo é responder a duas perguntas principais: qual a melhor forma de aplicar o nutriente e em que quantidade, para garantir maior produtividade. Os resultados devem estar disponíveis em aproximadamente um mês.

O pesquisador também destacou que a intenção não é substituir o milho pelo trigo. “Existe espaço para os dois. Se o produtor utilizar de 0,5% a 1% da área de milho para cultivar o trigo, ele não está sacrificando o milho e ainda aproveita os benefícios do trigo”, concluiu.

Fonte: Embrapa Agropecuária Oeste

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