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Nova fase de operação aponta uso político de licitações e desvio de recursos em municípios de MS

por Alexandro Zinho
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Investigação aponta indícios de manipulação de contratos, troca de favores e possível uso político da estrutura pública em municípios da fronteira

O avanço de investigações sobre possíveis fraudes em licitações públicas na fronteira de Mato Grosso do Sul expõe indícios de um esquema que pode ter operado dentro da própria estrutura do poder público. Nesta terça-feira (31), o Ministério Público estadual, por meio do Gaeco, deflagrou nova fase da operação que mira a relação entre servidores e empresários suspeitos de atuar em um sistema de favorecimento em contratos públicos.

Foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão em cidades estratégicas da fronteira sul, como Coronel Sapucaia, Amambai, Ponta Porã e Caarapó — regiões historicamente sensíveis pela circulação de recursos e influência política. A Justiça também determinou o afastamento de dois servidores públicos, além da imposição de medidas restritivas, como monitoramento eletrônico e proibição de acesso a repartições públicas.

As apurações indicam a existência de uma engrenagem estruturada que teria permitido a manipulação de processos licitatórios, direcionamento de contratos e possível desvio de dinheiro público. No centro das suspeitas estão contratos ligados à Prefeitura de Coronel Sapucaia, onde investigadores identificaram sinais de favorecimento a empresas com vínculos entre si.

A atual fase aprofunda investigações iniciadas em dezembro de 2024, quando já haviam sido identificadas conexões entre o poder público municipal e um grupo empresarial com laços familiares. Agora, o foco recai sobre o funcionamento interno do suposto esquema e a extensão da participação de agentes públicos.

Batizada de “Mão Dupla”, a operação faz alusão direta ao modelo investigado: um ciclo de troca de favores entre interesses privados e agentes do Estado. Para os investigadores, o padrão levanta suspeitas de uso da máquina pública como instrumento de benefício político e econômico — prática que, se confirmada, reforça um cenário de fragilidade na fiscalização e no controle dos recursos públicos na região de fronteira.

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