Home Agronegócio Mato Grosso conquistará reconhecimento internacional ao receber uma certificação inédita de zona livre de febre aftosa sem necessidade de vacinação

Mato Grosso conquistará reconhecimento internacional ao receber uma certificação inédita de zona livre de febre aftosa sem necessidade de vacinação

por Alexandro Zinho
Compartilhe

Após mais de quarenta anos de esforços, o estado alcança o status sanitário mais elevado globalmente para bovinos e suínos e se consolida entre os principais protagonistas do mercado de proteína animal.

Depois de mais quatro décadas enfrentando a febre aftosa, Mato Grosso será oficialmente distinguido como uma região livre da doença sem vacinação, título máximo concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). A cerimônia de entrega do certificado acontecerá no dia 29 de maio, durante a 92ª Assembleia Mundial da OMSA, com a participação de delegações de mais de 180 países.

Este marco representa um momento histórico na área agropecuária internacional para o maior produtor brasileiro de proteína animal. Liderada pelo vice-governador Otaviano Pivetta, uma delegação composta por representantes da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), do Instituto de Defesa Agropecuária (Indea), da Associação dos Criadores Mato-Grossenses (Acrimat), da Federação da Agricultura e Pecuária (Famato), da Associação dos Criadores de Suínos (Acrismat), do Fundo Emergencial de Sanidade Animal de Mato Grosso (FESA), do Instituto Mato-Grossense da Carne (Imac) e produtores rurais parte rumo a Paris para participar da Assembleia Mundial da OMSA, cuja programação inicia no dia 25 de maio e encerra no dia 29 de maio com as certificações.

O reconhecimento marca o fim de uma jornada iniciada ainda na década de 1970, quando a febre aftosa era uma ameaça constante ao rebanho mato-grossense. O último foco da doença em Mato Grosso foi registrado em 1996. Desde então, com campanhas de vacinação, estruturação institucional e engajamento do setor produtivo, o Estado conquistou a certificação de zona livre com vacinação em 2001. Naquele ano, o rebanho era de 22 milhões de cabeças. Hoje, são 33 milhões de bovinos, o maior rebanho do Brasil, conforme dados do Indea.

Essa evolução é retratada no livro “Adeus ao Vírus – Erradicação da Febre Aftosa: a participação de Mato Grosso na maior epopeia veterinária das Américas”, dos jornalistas Martha Medeiros e Sérgio Oliveira. A obra destaca o esforço conjunto e multifacetado de entidades públicas e privadas, desde a criação do Indea em 1979 até a formação de fundos emergenciais como o FEFA e, posteriormente, o FESA-MT, fundamentais para o financiamento das ações de sanidade.

Para o governador Mauro Mendes, essa certificação histórica é mais uma prova da qualidade do nosso rebanho bovino e suíno e do trabalho articulado entre o poder público e o setor produtivo.

“A certificação mostra que o produtor de Mato Grosso é extremamente competitivo e por isso nosso Estado tem avançado cada vez mais no cenário global. Uma grande vitória para Mato Grosso e para o agronegócio mato-grossense”, avalia.

O gerente executivo do FESA-MT, Juliano Latorraca Ponce, reforça que a certificação sem vacinação projeta o Estado a um novo patamar de competitividade global. Desde 2001, com o primeiro certificado, o Estado experimentou uma maior valorização do rebanho, impulsionou investimentos em genética, manejo, tecnologia e agora com a certificação de zona livre sem vacinação, a expectativa é de um salto ainda maior.

“Vamos acessar mercados mais exigentes e valorizados, com maior valorização do nosso rebanho e dos produtos suínos e bovinos. O FESA continuará como pilar estratégico na vigilância sanitária e na resposta rápida a qualquer ameaça futura”, comenta.

Para o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, a conquista é fruto de décadas de trabalho coletivo entre o Governo de Mato Grosso, as entidades do setor produtivo e os produtores rurais.

“Esse é um momento histórico. Vamos abrir portas para países como Japão e Coreia do Sul, que só compram carne de zonas reconhecidas como livres sem vacinação. A certificação traz ganhos não só à bovinocultura, mas também à suinocultura, que poderá expandir exportações. Mato Grosso mostra mais uma vez que é referência em produzir com qualidade, responsabilidade ambiental e inovação”, diz César Miranda.

Segundo o secretário de Estado de Fazenda, Rogério Gallo, essa certificação permitirá que a carne produzida em Mato Grosso acesse mercados muito exigentes, como o do Japão. “Isso impulsionará ainda mais nossas exportações e pode estabilizar os preços pagos aos produtores, garantindo melhor renda a milhares de pecuaristas e suinocultores do nosso Estado”, ressalta.

A presidente do Indea, Emanuele Almeida, comenta que esta será a primeira vez que todo o território de Mato Grosso será certificado com o mais alto status sanitário. Até então, apenas os municípios de Juína, Colniza, Aripuanã e Rondolândia gozavam desse status por fazerem divisa com Rondônia, que já é zona livre de febre aftosa sem vacinação.

“Já tínhamos uma pequena área reconhecida, mas agora é o Estado inteiro. É um sonho realizado, resultado do trabalho incansável de equipes técnicas, produtores e instituições ao longo de décadas”, disse.

A médica veterinária Ana Schmidt, do Indea, responsável pelo programa de vigilância da febre aftosa, ressalta que o desafio, a partir de agora, será manter a vigilância ativa e o sistema de notificação eficiente.

“Sem a vacinação, a atenção deve ser redobrada. A vigilância é nosso principal escudo contra a reintrodução do vírus”. 

O impacto dessa conquista também se reflete na economia. Em 2023, as exportações de carne bovina de Mato Grosso somaram US$ 2,1 bilhões, com a Ásia como principal destino, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). O status de livre sem vacinação deve ampliar ainda mais esse desempenho, fortalecendo o agronegócio local e consolidando o estado como potência sanitária global.

Fonte: Indea -MT

Compartilhe

Esse site usa cookies para melhorar sua experiência. Nós assumimos que você ta ok com isso, porém você também não aceitar. Eu aceito. Não aceito.

Olá, como posso te ajudar?