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Lula inaugura ferrovia Norte-Sul nesta sexta-feira, 36 anos após início da obra

por Alexandro Zinho
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Petista disse em entrevista que José Sarney também estará presente no evento; construção começou no governo do ex-presidente, na década de 1980.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inaugura nesta sexta-feira (16) a Ferrovia Norte-Sul, que liga os portos de Itaqui, no Maranhão, e de Santos, em São Paulo, 36 anos após o início das obras.

A cerimônia vai acontecer por volta das 11h no município de Rio Verde, em Goiás, no terminal da empresa Rumo, concessionária da Ferrovia Norte-Sul. O evento marca a conclusão das obras da ligação ferroviária que é considerada a espinha dorsal do sistema brasileiro de transporte sobre trilhos. Ao todo, a ferrovia completa tem 2.257 quilômetros e atravessa quatro regiões.

A construção começou em 1986, durante o governo de José Sarney. Em entrevista para rádios de Goiás na quinta-feira (15), Lula disse que o ex-presidente também deve comparecer ao evento.

“Estou inclusive pretendendo levar o presidente Sarney, que foi ele que, em 1987, começou essa ferrovia lá no Maranhão. Ela demorou 30 anos para ser feita, mas finalmente está pronta”, disse Lula na entrevista.

O ministro dos Transportes, Renan Filho, e representantes da empresa responsável pela entrega do terminal também estarão presentes, além de autoridades federais, estaduais e municipais.

O governo federal diz, em nota, que a conclusão da ferrovia “permite que três estados com forte produção de commodities – como soja, milho e algodão – tenham saída para seus produtos pelo mar. Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais ganham competitividade no momento de exportar seus produtos, seja pelo litoral da Região Sudeste ou pelo Norte do país”.

Mais de 30 anos de obras

A Ferrovia Norte-Sul evoluiu pouco nas primeiras décadas de sua construção e só ganhou impulso a partir de 2007, quando passou a receber investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no segundo mandato de Lula.

Nessa época, o trecho de Açailândia (MA) a Porto Nacional (TO) foi concedido para operação pela VLI Logística. Já a empresa Rumo passou a gerir o tramo centro-sul da ferrovia, entre Porto Nacional (TO) e Estrela D’Oeste (SP), em um trecho de 1.537 km. No interior de São Paulo, a ferrovia se conecta com a Malha Paulista, que vai até o litoral.

A partir de 2019, a operadora logística Rumo passou a gerir o tramo Sul do empreendimento, com 1.537 quilômetros de trilhos. Nos últimos quatro anos, a Rumo construiu três novos terminais em São Simão (GO), Rio Verde (GO) e Iturama (MG). Segundo o governo, a empresa investiu R$ 4 bilhões em obras de infraestrutura, terminais e material rodante.

Além dos terminais, outras obras de infraestrutura foram necessárias para concluir a ferrovia, como a construção de quatro pontes entre Goiás, São Paulo e Minas Gerais, centenas de quilômetros de trilhos e inúmeros pátios, como o que faz a ligação entre as Malhas Central e Paulista na cidade de Estrela D’Oeste (SP).

Apesar do modal ferroviário ter recebido investimentos ao longo das últimas décadas, que somam mais de R$ 141,9 bilhões, segundo a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), o segmento ainda representa cerca de 21,5% do transporte de carga no país, inferior a países continentais como Rússia (81%), Canadá (34%), Estados Unidos (27%) e Austrália (55%).

De acordo com a ANTF, em 2021 mais de 93% do minério de ferro exportado chegou aos portos brasileiros por trilhos. O modo ferroviário responde pelo transporte de mais de 49% dos granéis sólidos agrícolas exportados e, no caso do açúcar, esse índice é de quase 53%. No transporte de milho, a ferrovia escoa 58% da produção, e no complexo de soja (soja e farelo) as ferrovias transportaram mais de 46% do volume exportado.

Com informações: CNN
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