Home Agronegócio Indústrias de MS interrompem produção para os EUA após aumento tarifário de Trump

Indústrias de MS interrompem produção para os EUA após aumento tarifário de Trump

por Alexandro Zinho
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Os frigoríficos cancelam abates destinados ao mercado norte-americano e buscam alternativas devido à imposição de tarifas que tornaram a exportação inviável.

A política tarifária adotada pelo presidente Donald Trump contra o Brasil passa a afetar diretamente a economia de Mato Grosso do Sul. Segundo reportagem do G1, pelo menos quatro frigoríficos do estado pararam de produzir carne voltada ao mercado americano após a implementação de uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros.

Essa medida dificultou economicamente as exportações para os Estados Unidos, levando as empresas a suspenderem os abates específicos para aquele destino, evitando o acúmulo de estoques sem possibilidade de venda imediata. O governo estadual e o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sincadems) confirmaram essas ações.

Segundo Alberto Sérgio Capucci, vice-presidente do sindicato, a decisão é parte de uma estratégia empresarial: “Se produzirmos agora, a carne chegará aos EUA já com a nova tarifa aplicada, tornando a operação financeiramente inviável. Assim, setores voltados aos Estados Unidos foram paralisados”, afirmou.

Entre os frigoríficos que pararam a linha voltada à exportação para os EUA estão JBS, Minerva Foods, Naturafrig e Agroindustrial Iguatemi. Desses, apenas o Naturafrig comentou o assunto, informando que cerca de 5% de sua produção tinha como destino o mercado americano.

A situação preocupa o setor produtivo e o governo. O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaime Verruck, afirmou que há um volume significativo de carne já estocada que deveria seguir para os EUA antes do dia 1º de agosto — prazo em que a nova alíquota passa a valer.

“Os frigoríficos estão ajustando suas escalas para tentar realocar esse produto. Há negociações para redirecionar parte da produção para mercados alternativos, como Chile e Egito”, destacou Verruck.

A Abiec (Associação Brasileira de Exportadores de Carne) também confirmou que o fluxo de produção voltado aos EUA foi fortemente reduzido, refletindo os impactos imediatos da taxação imposta pelo governo Trump.

Enquanto o impasse comercial não é solucionado, a indústria frigorífica sul-mato-grossense busca saídas para evitar prejuízos ainda maiores — em um cenário em que política externa e agronegócio voltam a se cruzar no centro do debate econômico.

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