Relatos de moradores revelam o peso das viagens, da espera por vagas e da dificuldade para conseguir atendimento especializado; proposta prevê unidade de alta complexidade compartilhada entre Brasil e Paraguai
Amambai (MS) – Um telefonema em meio ao choro ajuda a traduzir o que números, filas e relatórios nem sempre conseguem mostrar. Durante uma reunião em Amambai, Cristiane Ribas contou ter recebido recentemente a ligação de uma mulher que pedia ajuda. Segundo o relato, ela enfrentava há cerca de um ano e nove meses uma situação de saúde sem conseguir acesso ao atendimento especializado de que precisava.
Para Cristiane, histórias como essa mostram o que significa morar longe dos grandes centros quando a doença exige algo que a estrutura local não consegue oferecer. “É algo aqui na fronteira, próximo das pessoas, que pode salvar vidas e evitar que tanta gente fique esperando atendimento e sofrendo”, afirmou, ao comentar a proposta de implantação de um Hospital Binacional de Fronteira.
A realidade descrita por ela aparece também no relato de quem vive diariamente entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero. A moradora Marizete da Cunha Santos resumiu o problema de outra maneira. “A gente que vive aqui sabe o quanto um hospital faz falta. Tem família que sofre, que precisa sair de madrugada, viajar longe, esperar vaga, correr atrás de atendimento”, relata.
O projeto de criação do Hospital Binacional de Fronteira, defendida pelo candidato a deputado federal Carlos Bernardo (União Brasil), prevê uma unidade hospitalar de alta complexidade voltada à população da faixa de fronteira, com cooperação entre Brasil e Paraguai e participação da Itaipu Binacional.
A intenção apresentada é aproximar procedimentos especializados de uma população que, em diferentes situações, precisa ser encaminhada para centros de referência em outras cidades. Mais do que uma característica geográfica, a fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero faz parte da rotina de milhares de pessoas. Moradia, trabalho, estudo, comércio e relações familiares atravessam diariamente a linha que separa os dois países.
Na saúde, essa dinâmica também existe. Segundo a proposta apresentada pelo candidato, o hospital teria administração compartilhada entre os dois países e estrutura voltada especialmente ao atendimento de maior complexidade.
