Home Bastidores Crise interna expõe fim da ‘lua de mel’ no governo comunista liderado por Lula

Crise interna expõe fim da ‘lua de mel’ no governo comunista liderado por Lula

por Alexandro Zinho
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O caso mais recente expôs o racha dentro do próprio PT, especificamente entre a ala política e a equipe econômica.

Haddad e Gleisi Hoffmann durante coletivca (Foto: Divulgação).

Com pouco mais de 50 dias de governo,integrantes do Palácio do Planalto já avaliam que o período de “lua de mel” do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acabou e os embates dentro do Executivo já atrasam as entregas das promessas de campanha.

O caso mais recente expôs o racha dentro do próprio PT, especificamente entre a ala política e a equipe econômica, comandada por Fernando Haddad na questão dos impostos sobre os combustíveis. Mas também há outros embates com potencial de ampliar os desgastes do governo Lula, como a tramitação de reforma tributária e o reajuste para os servidores federais, segundo comentário do jornalista Wesley Oliveira, da Gazeta do Povo. 

A “fritura” do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, começou ainda na última semana, depois que a presidente do PT, deputada federal pelo Paraná Gleisi Hoffmann, encampou um movimento contra a volta dos tributos federais no álcool e na gasolina. 

A equipe econômica vinha defendendo a tributação como forma “Não somos contra taxar combustíveis, mas fazer isso agora é penalizar o consumidor, gerar mais inflação e descumprir compromisso de campanha”, disse Hoffmann.

O líder do PT na Câmara, deputado Zeca Dirceu (PR), endossou a mensagem da presidente do partido. “A prorrogação da desoneração deve seguir, na busca de não afetar o bolso da população”. O deputado

Jilmar Tatto (PT-SP), secretário nacional de comunicação no PT, emendou, no Twitter, contra “o fim imediato da desoneração dos combustíveis”.

Interlocutores do PT temiam que uma prorrogação da desoneração provocasse, além de uma nova derrota de Haddad, uma reação negativa do mercado. A avaliação era de que essa decisão sinalizaria que a influência da ala política teria mais peso que as decisões da equipe econômica, o que poderia inviabilizar qualquer proposta encampada pelo ministro da Fazenda ao longo do governo.

Planalto vai investir em críticas a Bolsonaro para amenizar desgastes com o aumento dos combustíveis 

Para tentar contornar a situação, Lula optou pela volta dos impostos de forma progressiva, com uma taxação gradual para o etanol e para a gasolina. A partir de de 1º março, o governo voltará a cobrar R$ 0,47 de imposto na gasolina e R$ 0,02 no etanol.

Paralelamente, o Planalto vai investir em críticas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para tentar amenizar os desgastes por conta do aumento do preço dos combustíveis. Durante o anúncio sobre

o reajuste, Haddad disse que a redução dos impostos federais foi uma medida eleitoreira do governo Bolsonaro, que só foi estendida por Lula porque havia rumores de um golpe de Estado e a reoneração

poderia inflar atos considerados antidemocráticos.

A avaliação é de que Lula precisa encampar o discurso de que a desoneração dos  eleitoreira” do governo anterior. A redução dos impostos federais sobre combustíveis foi aprovada durante o governo Bolsonaro,

Ao assumir o governo, no entanto, Lula optou por manter a desoneração por dois meses, temendo um desgaste logo no início de mandato. Àquela altura, o presidente manteve a redução de impostos mesmo

contra a orientação de Haddad.

Agora, integrantes do Planalto afirmam que a solução intermediária foi definida por Lula para contemplar necessidades técnicas da equipe econômica e também os argumentos políticos do PT.

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