Home Agronegócio Crédito mais caro e inadimplência desafiam o agronegócio, que aposta em inovação e gestão de risco para se reinventar

Crédito mais caro e inadimplência desafiam o agronegócio, que aposta em inovação e gestão de risco para se reinventar

por Alexandro Zinho
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Setor enfrenta restrição de crédito e custos elevados, mas mantém resiliência com tecnologia e estratégias de gestão financeira

O agronegócio brasileiro, um dos principais motores da economia nacional, atravessa um período de ajustes marcado por condições climáticas imprevisíveis, aumento do endividamento e dificuldades crescentes no acesso ao crédito. De acordo com o economista Ricardo Gaspar, gerente financeiro da BRQ Brasilquímica, esses fatores têm pressionado as margens de lucro e impactado diretamente a rentabilidade das produções agrícolas.

Em artigo recente, Gaspar analisou o atual cenário e destacou que o aumento dos custos de insumos, aliado à volatilidade dos preços das commodities, reforça a importância da gestão estratégica e da inovação tecnológica como caminhos essenciais para manter a competitividade do setor.


Inadimplência rural cresce e acende alerta no mercado financeiro

Dados da Serasa Experian mostram que a inadimplência entre produtores rurais atingiu 7,9% no primeiro trimestre de 2025, uma alta de 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e de 0,9 ponto em comparação ao mesmo período de 2024.

Embora o índice ainda seja considerado controlado, o avanço preocupa o mercado financeiro. A elevação da inadimplência tende a levar bancos e cooperativas a adotarem critérios mais rigorosos para a concessão de crédito, com juros maiores e exigências adicionais de garantias.

Essas restrições reduzem a capacidade de investimento em tecnologia, armazenagem e infraestrutura — pilares fundamentais para sustentar a produtividade e a competitividade do agro brasileiro no longo prazo.


Setor passa por ajustes, não por crise

Apesar dos desafios, Gaspar ressalta que o momento não deve ser interpretado como uma crise, mas sim como uma fase de adaptação.

“O aumento da inadimplência não é um problema isolado, mas um sinal da necessidade de fortalecer a gestão de risco e o relacionamento entre produtores e instituições financeiras”, afirma o economista.

Para ele, o cenário atual exige planejamento, eficiência e integração de dados, de modo que informação e tecnologia se tornem aliadas estratégicas no controle de riscos e na tomada de decisões.


Inovação tecnológica impulsiona a gestão financeira no campo

A digitalização vem transformando a forma como o crédito rural é analisado e concedido. Novas plataformas permitem avaliar o perfil dos tomadores de forma mais precisa, com cruzamento de dados que envolvem condições climáticas, histórico de produtividade e indicadores de mercado.

Essas ferramentas ajudam a reduzir a exposição financeira e a equilibrar rentabilidade e segurança, aspecto essencial em um cenário de juros elevados e margens mais estreitas.


Empresas de crédito rural investem em inteligência artificial

Com mais de 30 anos de atuação no setor de nutrição de plantas, a BRQ Brasilquímica é um exemplo de como a inovação pode fortalecer a gestão de crédito. Segundo Gaspar, a companhia mantém baixos índices de inadimplência graças à revisão constante de políticas internas e ao uso de inteligência artificial para análise de risco.

“Atualizamos cadastros com frequência, utilizamos modelos modernos de garantia e integramos dados de diferentes fontes — incluindo imagens de satélite e informações de mercado — para aumentar a precisão das análises”, explica.

Essa abordagem permite identificar tomadores de alto risco, definir limites adequados de crédito e otimizar a alocação de capital, fortalecendo a saúde financeira e a eficiência operacional da empresa.


Desafio é equilibrar responsabilidade e incentivo

Gaspar conclui que o verdadeiro desafio da concessão de crédito rural não está em negar financiamentos, mas em tornar os negócios viáveis de forma responsável e sustentável.

“O agronegócio brasileiro continua resiliente. Com planejamento, inovação e gestão eficiente, o setor segue contribuindo para o desenvolvimento econômico do país”, destaca.

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