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Conab projeta safra 2025/26 recorde com expansão da área plantada e produção de grãos

por Alexandro Zinho
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Levantamento aponta crescimento puxado pela soja, avanço do sorgo e impacto climático sobre o milho

A safra brasileira de grãos 2025/26 caminha para novos recordes, impulsionada pela ampliação da área plantada e pela manutenção do ritmo de crescimento da produção. É o que aponta o Quarto Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta quinta-feira (15) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

De acordo com o estudo, a produção nacional deve alcançar 353,1 milhões de toneladas, alta de 0,3% em relação ao ciclo anterior, cultivadas em 83,9 milhões de hectares, o que representa um aumento de 2,6% na área agrícola. Na comparação com a safra 2024/25, o país adiciona cerca de 987,5 mil toneladas à produção e 2,1 milhões de hectares à área cultivada.

Centro-Oeste mantém liderança agrícola

A Região Centro-Oeste segue como principal polo da produção nacional, com 174,5 milhões de toneladas, o equivalente a 49,4% do total brasileiro. Considerando o recorte Centro-Sul, a participação sobe para 84,2%, somando 297,3 milhões de toneladas. Já as regiões Norte e Nordeste respondem juntas por 55,8 milhões de toneladas, o que corresponde a 15,8% da produção nacional.

Soja sustenta crescimento da safra

Principal cultura do país, a soja mantém a liderança e deve atingir 176,1 milhões de toneladas, crescimento de 2,7% frente à safra anterior. A área plantada avançou 2,8%, passando de 47,4 para 48,7 milhões de hectares.

Apesar da expansão, a produtividade apresentou leve recuo de 0,1%, reflexo de chuvas irregulares em áreas de Mato Grosso do Sul e Goiás. As perdas, no entanto, foram parcialmente compensadas por ganhos produtivos no Rio Grande do Sul.

Milho recua diante de adversidades climáticas

O milho, segunda principal cultura do país, registrou aumento de 4% na área plantada, que alcança 22,8 milhões de hectares. Ainda assim, eventos climáticos adversos — como granizo, tempestades e períodos de estiagem no Sul, além da falta de chuvas em Minas Gerais — impactaram a produtividade.

Com isso, a produção total deve cair 1,5%, passando de 141 milhões para 138,9 milhões de toneladas. A produtividade média também recua 5,3%, de 6.457 kg/ha para 6.114 kg/ha.

Sorgo avança e ganha espaço nas lavouras

O sorgo segue em trajetória de expansão e consolidação no campo brasileiro. A produção deve crescer 9,2%, alcançando 6,7 milhões de toneladas, enquanto a área cultivada aumenta 11,3%, somando 1,8 milhão de hectares. Mesmo com o avanço, a produtividade registra queda de 1,9%, influenciada por condições climáticas desiguais entre as regiões produtoras.

Biodiesel impulsiona girassol e mamona

Com a expansão da indústria de biocombustíveis, o girassol deve registrar aumento de 1,5% na produção, totalizando 101,9 mil toneladas. A área plantada cresceu 3,1%, mas a produtividade caiu 1,5%, impactada pela irregularidade das chuvas no Rio Grande do Sul.

Já a mamona apresenta um dos maiores destaques do levantamento, com salto de 47% na produção, que deve alcançar 147,4 mil toneladas. A área plantada cresceu 9,3%, chegando a 76,1 mil hectares, e a produtividade avançou 34,8%, impulsionada por condições climáticas favoráveis na Bahia.

Arroz e feijão recuam; algodão mantém estabilidade

Entre as culturas de verão, o cenário é misto. O arroz apresenta retração de 9,9% na área cultivada e queda de 13,3% na produção, estimada em 11,1 milhões de toneladas. O feijão deve somar 3 milhões de toneladas, recuo de 0,5%.

O algodão registra redução de 2,8% na área plantada, totalizando 2 milhões de hectares, com produção estimada em 3,8 milhões de toneladas. O amendoim mantém relativa estabilidade, com leve alta de área e queda de 1,9% na produção. O gergelim permanece estável, com 399,4 mil toneladas colhidas em 608 mil hectares.

Mercado aquecido e demanda por etanol de milho

No mercado, a Conab projeta crescimento tanto nas exportações quanto no consumo interno. As vendas externas de grãos devem atingir 41,5 milhões de toneladas, acima da estimativa anterior. Já o consumo doméstico deve alcançar 90,56 milhões de toneladas, alta de 7,8%, impulsionada principalmente pela expansão da produção de etanol de milho, que segue em ritmo acelerado no setor energético.

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