Projeto defendido por Carlos Bernardo prevê atendimento de alta complexidade na região de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero e pode reduzir deslocamentos de pacientes para centros de referência; área de influência reúne municípios que hoje dependem da rede regional para procedimentos especializados
Ponta Porã – A construção de um Hospital Binacional na fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero deve mudar a geografia do atendimento de alta complexidade em Mato Grosso do Sul. Mais de 20 cidades devem ser impactadas diretamente com o projeto: Ponta Porã, Amambai, Antônio João, Batayporã, Bela Vista, Bonito, Caracol, Coronel Sapucaia, Corumbá, Dourados, Eldorado, Guia Lopes da Laguna, Iguatemi, Itaquiraí, Jardim, Juti, Maracaju, Mundo Novo, Naviraí, Nioaque, Nova Andradina, Paranhos e Sete Quedas – que reúnem aproximadamente 808 mil habitantes entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai.
A proposta defendida pelo candidato a deputado federal Carlos Bernardo, pelo União Brasil, número 4455, prevê uma unidade hospitalar voltada ao atendimento de brasileiros e paraguaios, com serviços especializados, tecnologia, formação de profissionais e cooperação entre instituições dos dois países. “O que queremos é construir um projeto tecnicamente viável, definindo financiamento, localização, governança, regulação e quadro profissional, articulando Congresso, Ministério da Saúde, Itamaraty e autoridades paraguaias”, diz Carlos Bernardo.
O candidato alerta que a regionalização do SUS evidencia um dos maiores problemas enfrentados por quem vive longe dos maiores centros, já que nem todo procedimento especializado existe em todas as regiões. “Quem precisa de especialista, muitas vezes, viaja quilômetros para conseguir atendimento. Pensa uma pessoa que se acidentou com risco de morte, um paciente oncológico, tendo que viajar horas e horas para ser atendido, e muitas vezes, nem ter a certeza desse atendimento”, critica.
No caso da Macrorregião de Dourados, por exemplo, o Plano Estadual de Saúde mostra que os serviços de oncologia habilitados como UNACON estão localizados em Dourados. Para atendimento renal crônico, há serviços registrados em Dourados e Ponta Porã. Isso significa que, dependendo da doença e do procedimento necessário, pacientes de cidades menores precisam ser regulados para municípios de referência.
A Secretaria Estadual de Saúde já reconheceu essa lógica de deslocamentos. Quando ampliou a regulação regional de Ponta Porã, o Governo do Estado destacou que o fortalecimento do município como pólo de média e alta complexidade tinha justamente o objetivo de evitar que pacientes precisassem se deslocar para outras regiões. Entretanto, isso segue sendo necessário.
É neste ponto que Carlos Bernardo coloca o Hospital Binacional como solução estrutural: a implantação de novos serviços de alta complexidade em Ponta Porã/Pedro Juan Caballero poderia criar uma alternativa regional para pacientes que hoje necessitam ser encaminhados para outras cidades.
A proposta dialoga com a legislação de integração fronteiriça já existente. O Decreto Federal nº 11.859/2023, que promulgou o Acordo Brasil-Paraguai sobre Localidades Fronteiriças Vinculadas, prevê atendimento médico nos serviços públicos de saúde em condições de gratuidade e reciprocidade para os beneficiários previstos no acordo, além de cooperação entre instituições dos dois países nas áreas sanitária e epidemiológica.
O acordo reconhece, entre as localidades vinculadas, pares como Ponta Porã–Pedro Juan Caballero, Coronel Sapucaia–Capitán Bado, Paranhos–Ypejhú, Bela Vista–Bella Vista Norte, Caracol–San Carlos del Apa e Mundo Novo/Guaíra–Saltos del Guairá, entre outros. Ou seja: a cooperação internacional em saúde não parte juridicamente do zero.
Gestão compartilhada
Segundo Carlos, o modelo que está sendo formulado prevê uma comissão com representantes e profissionais brasileiros e paraguaios. A proposta procura responder a uma dificuldade específica de um hospital internacional: definir quem administra, quem fiscaliza, como funciona a prestação de serviços e quais regras serão aplicadas.
Carlos defende um modelo no qual a manutenção não fique concentrada em um único ente. Ele cita como possíveis participantes os governos brasileiro e paraguaio, instituições de ensino e Itaipu Binacional, além da possibilidade de convênios individuais e empresariais.
Outro componente é utilizar o hospital também para formação profissional, internato, residência e treinamento de equipes.”Precisamos ampliar campos de prática e formação fora da Capital como estratégia para criar equipes permanentes no interior˜, destaca.
Estrutura e tecnologia
Com aproximadamente 60 leitos e quatro salas cirúrgicas, além de estrutura de hospital-escola, o espaço será baseado em tecnologia e telemedicina. A lógica é que um hospital regional não precise concentrar fisicamente todos os especialistas permanentemente para ter acesso à discussão de casos e apoio de centros maiores.
“Não se trata simplesmente de construir mais um hospital. É colocar atendimento especializado mais perto de quem mora no interior e criar uma rede em que Brasil e Paraguai possam dividir responsabilidades”, defende.
O projeto já avançou politicamente no Paraguai. Em agosto de 2026, a Junta Municipal de Pedro Juan Caballero declarou o Hospital Universitário Binacional de interesse público e municipal. No Brasil, Carlos Bernardo vem buscando apoio político e institucional para transformar o projeto em uma estrutura integrada à rede pública.
