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China reage e sanciona subsidiárias ligadas aos EUA da construtora naval sul-coreana Hanwha Ocean

por Alexandro Zinho
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Medida coincide com novas tarifas portuárias entre Pequim e Washington e reforça o papel estratégico da indústria marítima na economia internacional

A China anunciou nesta terça-feira (14) sanções a cinco subsidiárias da Hanwha Ocean, grupo sul-coreano com operações em três continentes. A decisão do Ministério do Comércio chinês ocorre no mesmo dia em que entram em vigor novas tarifas portuárias entre China e Estados Unidos, ampliando a disputa comercial em torno do setor naval e da logística marítima global.

De acordo com comunicado oficial, as restrições atingem unidades da Hanwha ligadas a contratos e investigações conduzidas por órgãos norte-americanos. A medida determina que empresas e cidadãos chineses estão proibidos de realizar transações ou cooperação comercial com as subsidiárias envolvidas, em ação que, segundo o governo, visa proteger os interesses econômicos e de segurança nacional da China.

Após o anúncio, as ações da Hanwha Ocean registraram queda de 5,8% na Bolsa de Seul, enquanto a concorrente HD Hyundai Heavy Industries recuou 4,1%.


Setor naval ganha destaque como eixo estratégico global

A decisão reforça o papel da indústria naval como setor estratégico na economia mundial. A Hanwha Ocean mantém estaleiros na Coreia do Sul, China e Estados Unidos, fabricando desde embarcações comerciais até módulos navais de uso militar.

A empresa opera um estaleiro na província chinesa de Shandong, responsável por componentes navais que são enviados à Coreia do Sul para montagem final — parte de uma cadeia produtiva integrada entre os dois países.

Em 2024, a Hanwha adquiriu o Philly Shipyard, nos Estados Unidos, por US$ 100 milhões, e anunciou um novo investimento de US$ 5 bilhões para fortalecer sua presença no mercado norte-americano.


Disputa comercial e inovação tecnológica

A implementação das tarifas portuárias adicionais entre China e EUA marca um novo capítulo da competição econômica e tecnológica global.

Enquanto Washington busca impulsionar a produção doméstica e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros, Pequim tem ampliado políticas voltadas à inovação, segurança logística e eficiência operacional, que sustentam o crescimento da indústria naval chinesa nas últimas duas décadas.

O governo chinês afirma que a estabilidade do setor marítimo é fundamental para garantir a fluidez do comércio internacional e preservar a competitividade das cadeias produtivas asiáticas.


Repercussões e próximos passos

O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul informou que acompanha o caso e pretende dialogar com autoridades chinesas e representantes do setor para mitigar eventuais impactos sobre empresas nacionais.

Analistas avaliam que as sanções devem gerar ajustes pontuais no curto prazo, mas não alteram o cenário de longo alcance, em que a China se mantém como potência central na construção naval e nas exportações marítimas.

Com investimentos contínuos em tecnologia e infraestrutura, o país consolidou sua posição como líder global na produção de embarcações e referência em inovação industrial, desempenhando papel estratégico na reconfiguração da economia marítima mundial.

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