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China assume liderança nas vendas de fertilizantes ao Brasil e acende alerta no agronegócio

por Alexandro Zinho
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A China ultrapassou a Rússia e se tornou, em 2025, o principal fornecedor de fertilizantes para o Brasil — insumo estratégico para manter a produtividade das lavouras e sustentar o protagonismo do país no agronegócio mundial. Entre janeiro e outubro, o Brasil importou 38,3 milhões de toneladas de fertilizantes, segundo dados do MDIC compilados pela Argus. Desse total, 9,76 milhões de toneladas (25%) tiveram origem chinesa.

No ano anterior, a China respondia por 18% das compras brasileiras. Agora, ganha o primeiro lugar em volume enviado ao país, sinalizando uma mudança relevante nas rotas globais de suprimento do setor.

Dependência crescente preocupa especialistas

O avanço chinês, embora fortaleça o fluxo de importações, acende um sinal de alerta no campo. A política de exportação da China é considerada volátil, com decisões influenciadas por fatores internos, como demanda doméstica e custo energético. Para o Brasil, que depende de importação para cerca de 85% dos fertilizantes utilizados, essa instabilidade amplia os riscos para o planejamento de safra.

Segundo a Argus, “a dependência brasileira da China impõe riscos adicionais, principalmente relacionados à política de exportações chinesas”.

Frete mais caro pressiona custos da produção agrícola

Além da volatilidade regulatória, o custo logístico é outro ponto de atenção. O transporte da China até os portos brasileiros encarece o frete em comparação às cargas vindas do leste europeu. Em algumas regiões produtoras, o custo por tonelada de fertilizante de origem chinesa subiu até 15%, afetando o preço final do insumo e reduzindo a margem de lucro dos produtores rurais.

Para culturas de alto consumo de adubo — como soja, milho, algodão e café — esse impacto pode ser sentido já no planejamento da próxima safra.

Cenário internacional instável reforça necessidade de diversificação

A mudança na liderança ocorre em um contexto global marcado por conflitos geopolíticos, restrições ambientais e oscilações nas cadeias de distribuição. Com a China assumindo o protagonismo e a Rússia perdendo espaço, analistas do setor defendem que o Brasil diversifique sua carteira de fornecedores e amplie investimentos internos para reduzir vulnerabilidades.

Garantir fluxo contínuo e competitivo de fertilizantes é considerado estratégico para manter a eficiência produtiva, a segurança alimentar e a competitividade do agronegócio brasileiro.

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