Home Bastidores Cassems sob suspeita: sindicalistas e deputados pedem CPI para investigar gestão de mais de R$ 1,3 bilhão

Cassems sob suspeita: sindicalistas e deputados pedem CPI para investigar gestão de mais de R$ 1,3 bilhão

por Alexandro Zinho
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A Caixa de Assistência dos Servidores de Mato Grosso do Sul (Cassems) voltou ao centro do debate político estadual após denúncias de má gestão e falta de transparência na aplicação dos recursos bilionários arrecadados com servidores públicos e repasses do Estado.
Durante sessão na Assembleia Legislativa, nesta terça-feira (14), o presidente da Abecams (Associação dos Beneficiários da Cassems), Jeder Fabiano, afirmou que a instituição “movimenta mais dinheiro que a Prefeitura de Dourados” — a segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul — e pediu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a administração da entidade.

“Em Dourados, a prefeitura administra R$ 1,1 bilhão por ano. A Cassems, sozinha, movimenta R$ 1,3 bilhão. É mais do que uma cidade inteira. Por isso pedimos apoio desta Casa para a abertura da CPI”, declarou o sindicalista.

Representando centenas de servidores estaduais, Jeder denunciou problemas recorrentes de atendimento, falta de insumos médicos, negação de home care e atrasos em cirurgias, que vêm obrigando beneficiários a recorrer à Justiça. Segundo ele, o objetivo não é atacar a instituição, mas exigir transparência e controle efetivo sobre o uso do dinheiro público e das contribuições dos servidores.

“Falo em nome de pessoas que vivem o descaso na pele. Queremos apenas garantir que o dinheiro dos servidores seja bem aplicado e que os serviços funcionem como prometido”, completou.


Críticas e cobranças no plenário

O clima no plenário foi de forte cobrança. O deputado Paulo Henrique (PL) fez duras críticas à administração da Cassems, questionando gastos milionários com publicidade e a falta de clareza nas contas da instituição.

Segundo o parlamentar, os números não fecham: a Cassems arrecada mais de R$ 1,3 bilhão por ano, sendo R$ 800 milhões provenientes de descontos diretos nos salários dos servidores e outros R$ 470 milhões de repasses do Governo do Estado. Mesmo com todo esse volume, há reclamações constantes sobre atrasos em pagamentos, falta de próteses e insumos hospitalares, além de denúncias sobre despesas suspeitas com propaganda, que somariam R$ 50 milhões na última década.

“É preciso esclarecer para onde está indo tanto recurso. A Cassems precisa abrir as contas, tornar públicas as assembleias e mostrar que não há irregularidades. A transparência é o mínimo que se espera de uma instituição que administra mais que uma cidade inteira”, declarou o deputado.

Paulo Henrique também defendeu que as assembleias online da Cassems sejam gravadas e auditadas, relatando que muitos beneficiários não conseguiram registrar votos contrários à atual gestão. Ele sugeriu ainda a criação de um projeto de lei estadual para garantir mais transparência em entidades de autogestão que administram recursos públicos.


Defesa e reação

Durante o debate, alguns parlamentares saíram em defesa da instituição. O deputado Paulo Corrêa (PSDB) citou pesquisa que aponta 80,1% de aprovação entre os beneficiários, classificando as críticas como “injustas” e ressaltando que a Cassems mantém a melhor rede hospitalar do Estado.

“Essa tentativa de linchamento moral só faria sentido se o trabalho não estivesse sendo bem feito. A Cassems é exemplo e orgulho dos servidores”, afirmou Corrêa.

Já o deputado Zeca do PT, criador da Cassems quando foi governador, também defendeu o modelo. Segundo ele, a entidade nasceu justamente para corrigir falhas do antigo Previsul e hoje é referência nacional.

“Antes, os servidores eram humilhados e não tinham atendimento. Hoje, a Cassems administra dez hospitais e é visitada por gestores de outros estados”, lembrou.


Pressão por investigação

Mesmo com as defesas, o clima de desconfiança e cobrança política dominou a sessão. O pedido de CPI apresentado pela Abecams deve ser analisado pela Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, com apoio crescente de parlamentares que defendem auditoria detalhada das contas, verificação de contratos de publicidade, pagamentos hospitalares e destino de recursos públicos e privados administrados pela Cassems.

A possível criação da CPI da Cassems promete se tornar um dos temas mais sensíveis da política sul-mato-grossense neste fim de ano, com potencial para revelar falhas na gestão de bilhões de reais e redesenhar a relação entre o Estado e o plano de saúde dos servidores.

Enquanto o impasse se prolonga, beneficiários seguem enfrentando filas, atrasos e incertezas, à espera de respostas concretas sobre como e onde está sendo aplicado o dinheiro que sustenta o sistema de assistência à saúde dos servidores públicos.

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