Home Bastidores Após 40 anos, Brasil passa a ter um novo modelo tributário a ser seguido

Após 40 anos, Brasil passa a ter um novo modelo tributário a ser seguido

por Alexandro Zinho
Compartilhe

Importante ressaltar que o novo regime não cria um novo imposto.

A reforma tributária aprovada pelo Congresso Nacional poderá promover mudanças profundas no funcionamento da economia brasileira.

Essa previsão é consistente e pode ser explicada por um simples fato: o país escapará do pior sistema tributário do mundo.

Contudo, a PEC 45 concluiu apenas a primeira fase da sua transformação, que foi a criação de um novo modelo e a adoção do IVA (Imposto sobre Valor Agregado).

Já sabemos quem são os privilegiados, os especiais, os que pagam menos impostos e até os isentos de impostos. Sabemos também que as alíquotas básicas do CBS e do IBS, os dois tributos criados pela PEC 45, serão muito elevadas, em torno de 27,5%, as mais altas do mundo. Pelo menos por enquanto.

É importante ressaltar que o novo sistema não cria novos impostos. Os brasileiros já sofrem com altas cargas tributárias que impactam o consumo.

Agora começa a construção do sistema, ou seja, das regras e condições de funcionamento, cobrança, distribuição, definição das categorias de produtos e serviços.

As leis complementares vão definir, por exemplo, a composição dos produtos da cesta básica nacional, ou da lista dos produtos que serão tributados pelo Imposto Seletivo, que pretende inibir o consumo de produtos que fazem mal à saúde ou ao meio ambiente.

Se o modelo definido pela PEC 45 ficou longe do ideal e terminou formado por erros e excessos, é preciso redobrar a atenção com a próxima etapa.

Quanto mais eficiente, simples e direto for o regramento tributário, melhor o impacto na economia, na adaptação dos agentes econômicos e na arrecadação dos governos nas três esferas nacionais. O contrário disso terá o mesmo roteiro, só que na direção errada.

Durante a tramitação da legislação complementar em 2024 os grupos de interesse voltarão a atuar junto ao Congresso Nacional para defender seu quinhão e garantir benefícios.

O que faz parte do jogo democrático. Até porque, há espaço e atalhos para mais exceções e manutenção de distorções que a premissa da reforma tributária atacou. Desviar-se do objetivo de simplificação e ordenamento tributário do país pode custar caro.

O Brasil ocupa o primeiro lugar em quantidade de horas gastas para o cumprimento das obrigações com o fisco. E ainda assim falha, vide o tamanho do contencioso tributário do país, outro quesito que nos coloca no topo das listas globais.

A despesa das empresas com a estrutura necessária para lidar com o manicômio das leis também é recorde. A reforma aprovada agora lida com esse capítulo da história econômica do país.

A reforma já começou e não tem volta. O Brasil já passou tempo demais na contramão do mundo e perdeu a capacidade de inovar para escapar do caos.

A carga tributária vai seguir alta porque ela não é deste debate. Ela cabe na discussão sobre o custo do Estado brasileiro. Enquanto o setor público custar caro como é hoje, a carga de impostos terá que dar conta da fatura.

Compartilhe

Esse site usa cookies para melhorar sua experiência. Nós assumimos que você ta ok com isso, porém você também não aceitar. Eu aceito. Não aceito.

Olá, como posso te ajudar?