Home Bastidores ‘Estados sobreviverão de repasses’, diz Gerson sobre reforma tributária

‘Estados sobreviverão de repasses’, diz Gerson sobre reforma tributária

por Alexandro Zinho
Compartilhe

Presidente da Assembleia diz que reforma tributária acaba com pacto federativo e Estado perde autonomia financeira.

O presidente da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), deputado Gerson Claro (PP),está convencido de que a proposta de reforma tributária em tramitação na Câmara Federal, acaba com o pacto federativo,  atropelando uma cláusula pétrea da Constituição que garante aos estados autonomia administrativa e atribuição de fiscalizar os tributos na sua esfera de competência .

“Nos termos em que o projeto foi elaborado, os Estados sobreviverão de repasses. Os governadores vão ficar sempre de  pires na  mãos . Não existe autonomia real sem a prerrogativa de arrecadar.  Todos estarão subordinados ao Conselho da Federação , que na prática será uma super receita “,  avalia o deputado.

Gerson admite que há  necessidade de  uma reforma tributária que simplifique e uniformize a legislação, mas vê como “inconveniente esta tentativa de aprovar a qualquer custo, sem que as diferenças regionais sejam levadas em conta” . Há mais de 20 anos se fala em reforma tributária , nada justifica esta pressa  em aprovar a qualquer custo um texto que está longe de ser consensual entre as unidades federativas “, argumenta .

Gerson lembra que a Alems fez duas audiências, em que foram ouvidos  especialistas e diferentes segmentos empresariais que apontaram pontos questionáveis da proposta de reforma, que promove uma série de experimentações tributárias.

Como o imposto será recolhido no destino do produto,o Estado perde receita, porque  a soja, o milho e o gás natural importado da Bolívia ,tem como destino outras regiões do país.

Há um cálculo de que ao longo de 10 anos Mato Grosso do Sul  perca  R$ 30 bilhões . Enquanto a arrecadação dos outros estados cresceu 4% ao ano , enquanto a de Mato Grosso do Sul aumentou 6% acima da inflação. Como o critério de ressarcimento das perdas levará em conta a média da arrecadação  entre 2024 e 2028, a receita estadual ficará estagnad . Outra preocupação é que será definido em Lei Complementar as regras  Fundo de Compensação das perdas de receita. 

“Tivemos como um exemplo do risco deste formato de regulamentação  a  Lei Kandir, uma lei complementar que fixava    critérios de ressarcimento das perdas dos estados com a isenção de ICMS das  exportações. Mato Grosso do Sul não recebeu nem 50% do que tinha direito de ressarcimento . O ideal é que a regra seja definida por emenda constitucional ,para evitar surpresas desagradáveis depois “, comenta o presidente.

A reforma propõe a criação

dos  IVAs (Imposto sobre Valor Agregado), uma federal e outra regional. A primeira é a CBS (Contribuição Social sobre Bens e Serviços), que substituiria o PIS e o Cofins; e a segunda é o IBS (Imposto sobre Operações com Bens e Serviços), a ser criado no lugar do ICMS e do ISS.

Compartilhe

Esse site usa cookies para melhorar sua experiência. Nós assumimos que você ta ok com isso, porém você também não aceitar. Eu aceito. Não aceito.

Olá, como posso te ajudar?