Interlocutores do Planalto farão rodada de conversas com líderes partidários em busca de melhorar a relação com a Câmara e o Senado.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta ajustar a relação com o Congresso Nacional e começa nesta semana uma nova rodada de conversas com líderes e partidos políticos.
Derrotado duas vezes na Câmara dos Deputados, governo comunista do PT tenta um revés em nova investida visando garantir votos por meio de barganhas, ou seja, compra de apoio com dinheiro de emendas parlamentares.
O governo já sofreu dois duros golpes no plenário da casa legislativa, incluindo a derrubada dos decretos do presidente que mudam a regulamentação do marco legal do saneamento básico e a retirada de pauta do projeto da Lei da Censura.
Ocorre que, além de não possuir até agora um plano de governo eficiente para o Brasil, o Palácio do Planalto também peca muito na articulação política, o que, segundo analistas, demonstra grande fragilidade em obter maioria na Câmara e no Senado.
Medidas impopulares, como o reajuste de apenas R$ 18 no salário mínimo e o fim de vários benefícios garantidos pelo governo de Jair Bolsonaro (PL), também estão revoltando a todos, incluindo os próprios eleitores do presidente Lula.
A popularidade do presidente em baixa é a prova da ineficiencia do governo, conforme os analistas.
No episódio mais recente, Lula irritou os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ao levar o assunto da privatização da Eletrobras para a Justiça.
Em entrevista exclusiva à CNN, o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu a ação do governo no STF (Supremo Tribunal Federal), que tenta mudar regras da privatização da Eletrobras.
O que a medida busca é restabelecer os direitos políticos da União. Entretanto, isso não impede que continuem as discussões dentro do governo sobre a possibilidade de discutir juridicamente até mesmo a privatização.
Rever as regras da privatização da Eletrobras é mais uma escolha da administração comunista que mexe com decisões do Congresso e foi mal recebida.
Em um evento em São Paulo na a segunda-feira (8), Pacheco disse que o governo precisa aceitar essa realidade.
“Nós fizemos uma opção legislativa de capitalização da Eletrobras. Foi algo muito debatido na Câmara e no Senado. De modo que nós consideramos essa uma realidade do Brasil. É muito importante que se pudesse aceitar essa realidade, para valorizar a Eletrobras”, afirmou o presidente do Senado.
Pacheco é contra as mudanças feitas por Lula no marco do saneamento e disse que há uma tendência no Senado de aprovar o decreto legislativo – já aprovado na Câmara – que derrubou parte das alterações.
Lira também criticou a decisão do governo de mexer no marco do saneamento e reclamou da articulação política do Planalto.
“Não estamos buscando que Lula troque ministros. O que está faltando não são trocas individuais, o que está faltando é a mentalidade do conjunto dos ministros do governo entenderem que a relação política com o Congresso não é a mesma de 20 anos atrás. Enquanto não houver mudança de pensamento, de mentalidade, com nível de aumento de protagonismo do Congresso Nacional, os choques acontecerão.”
Foi o que aconteceu com o projeto de lei da Censura, retirado da pauta em 2 de maio, a pedido do próprio relator, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), em meio à incerteza se o governo conseguiria a maioria dos votos para aprovação.
Os impasses no Congresso acenderam o sinal de alerta no governo. O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse que vai fazer reuniões com os partidos que comandam ministérios.
Em outra frente, a administração tenta amenizar a queixa sobre a não liberação de emendas parlamentares e, para isso, deve acelerar os chamados “restos a pagar”, que são as emendas do orçamento passado.
Padilha também rebateu as críticas sobre a articulação política. “Estou acostumado às tarefas deste cargo, não sou marinheiro de primeira viagem”, explicou.
O ministro tenta agora apoio para os projetos que ainda serão analisados, como o novo marco fiscal e a reforma tributária, e minimizou as últimas derrotas no Congresso.
“É raríssimo time ser campeão invicto. Num campeonato, você empata, você perde, mas para ser campeão, você não pode perder a final. E tenho certeza absoluta de que estamos construindo uma base, sob a liderança do presidente Lula, para ganhar, ser vitorioso naquelas que são as votações mais prioritárias”, continuou Padilha.
Com informações: CNN
