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Fatores psicológicos, como infelicidade e solidão, contribuem para o envelhecimento, diz estudo

por Alexandro Zinho
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Pesquisadores da China e dos Estados Unidos reforçam a necessidade de ambiente psicologicamente agradável para uma longevidade saudável.

Solidão e infelicidade envelhecem mais rápido que o cigarro (Foto: Divulgação).

Sentimentos como infelicidade e solidão contribuem de maneira significativa para o envelhecimento. De acordo com um estudo publicado no periódico científico Aging, fatores psicológicos também podem apresentar impactos para a saúde, como problemas de origem física. Pesquisadores da China e dos Estados Unidos afirmam que os achados reforçam a necessidade de ambiente psicologicamente agradável para uma longevidade saudável.

Estudiosos da longevidade utilizam modelos estatísticos que permitem medir a idade biológica de uma pessoa, em oposição à idade cronológica, um conceito chamado de “relógios de envelhecimento”. Enquanto a idade cronológica é determinada pela data de nascimento, a idade biológica depende da intensidade dos processos de envelhecimento, podendo ser afetada pela genética, pelo comportamento e pelo ambiente em que se vive.

Em geral, os relógios de envelhecimento são ajustados para prever a idade cronológica de um indivíduo com base em parâmetros genéticos e resultados de exames clínicos.

Envelhecimento do organismo não é determinado apenas por fatores físicos, afirmam pesquisadores (Foto: Divulgação).

Pesquisadores da China e dos Estados Unidos desenvolveram um relógio de envelhecimento usando dados de exames de sangue de adultos e idosos chineses com o objetivo de demonstrar a associação entre os aspectos físicos e psicológicos do envelhecimento. Segundo a pesquisa, o modelo é capaz de detectar o envelhecimento acelerado em pessoas com problemas cardíacos, pulmonares e dos rins.

“Demonstramos que fatores psicológicos, como sentir-se infeliz ou solitário, somam 1,65 anos à idade biológica, e o efeito agregado supera os efeitos do sexo biológico, área de moradia, estado civil e tabagismo. Concluímos que o componente psicológico não deve ser ignorado nos estudos de envelhecimento devido ao seu impacto significativo na idade biológica”, afirmam os pesquisadores no artigo.

Definindo a idade biológica

Para definir a idade biológica do grupo avaliado, foram utilizadas informações do banco de dados do Estudo Longitudinal de Saúde e Aposentadoria da China. O amplo estudo nacional da população chinesa com mais de 45 anos apresenta informações sobre o status social e econômico dos entrevistados, histórico de saúde, biometria e exames de sangue. Desde a sua criação, tem sido usado para estudar os efeitos da nutrição, laços sociais e status econômico no envelhecimento saudável.

Os pesquisadores utilizaram uma combinação de 16 biomarcadores sanguíneos, sete parâmetros biométricos e o sexo biológico dos participantes do estudo para criar um preditor da idade biológica. Para verificar se as previsões do modelo representavam o ritmo do envelhecimento, eles investigaram se as pessoas com doenças associadas ao envelhecimento seriam mais velhas do que as pessoas saudáveis.

“Demonstramos que o envelhecimento do organismo não é determinado apenas por fatores físicos, mas também, até certo ponto, afetado pelo estado mental e status social. Interpretamos a idade biológica como uma proxy do estado geral de saúde e mostramos que os sentimentos positivos (alegria, esperança, segurança) têm impacto significativo na primeira”, dizem os especialistas.

No estudo, a idade biológica foi representada considerando diversas variáveis ​​psicológicas e sociais para medir seus efeitos no ritmo do envelhecimento. Considerando trabalhos anteriores com conjuntos de dados dos Estados Unidos, a pesquisa aponta que os modelos de relógios de envelhecimento psicológico baseados em inteligência artificial são viáveis ​​em todas as culturas.

Entre os países do Leste Asiático, a China tem a menor parcela de idosos “bem-sucedidos”: 15,7%. Para fins de pesquisa, um idoso “bem-sucedido” é uma pessoa com mais de 65 anos sem grandes deficiências e com função cognitiva e envolvimento social normais. Para comparação, a parcela de bem-sucedidos entre os idosos é de 29,2% no Japão e 25,5% na Coréia do Sul.

No entanto, devido à grande população da China, o número de pessoas com mais de 65 anos no país é maior do que em toda a Europa. Para os pesquisadores, compreender o envelhecimento na China pode fornecer informações importantes sobre o envelhecimento no mundo.

Os especialistas defendem que os resultados encontrados apoiam ainda mais a necessidade de companheirismo e um ambiente psicologicamente agradável para uma longevidade saudável.

Fonte: CNN

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