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Entenda o que é a hepatite autoimune, que atinge principalmente mulheres jovens

por Alexandro Zinho
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Jogadora de futsal do Taboão Magnus Pietra Medeiros, de 20 anos, morreu na sexta-feira (19) em decorrência da doença.

As hepatites, doenças que provocam a inflamação do fígado, são causadas por cinco tipos de vírus (nomeados das letras A à E).

A hepatite autoimune, por sua vez, é uma doença rara, relacionada a alterações no sistema imunológico, que causa inflamação crônica no fígado. Quando não tratada, pode evoluir para cirrose com mau funcionamento do órgão.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Hepatologia, a doença pode ocorrer em pessoas de todas as idades, mas atinge principalmente mulheres jovens por volta de 30 anos.

A jogadora de futsal Pietra Medeiros, de 20 anos, morreu na sexta-feira (19) em decorrência da doença. A atleta fazia parte do Taboão Magnus, de Taboão da Serra (SP).

Entenda as principais características da hepatite autoimune, incluindo sinais e sintomas, diagnóstico e tratamento da doença.

Quais são as causas?

Apesar do nome de hepatite, a doença não é contagiosa, ou seja, não é transmitida para outras pessoas.

sistema imune do paciente reconhece células hepáticas chamada hepatócitos como agentes estranhos. O ataque das células provoca uma inflamação crônica, como o desenvolvimento de fibrose hepática, que são cicatrizes no fígado, e cirrose.

A Sociedade Brasileira de Hepatologia afirma que a doença está associada à predisposição genética. A manifestação pode surgir devido a exposição a vírus, bactérias, medicamentos e outros agentes do meio ambiente. No entanto, a ocorrência de hepatite autoimune em familiares de quem já teve a doença não é frequente.

A condição pode estar associada a outras doenças autoimunes, principalmente tireoidite e artrite reumatoide e também a outras doenças do fígado.

Quais são os sintomas?

Na maioria dos casos, os pacientes podem apresentar mal-estar, fraqueza e perda de energia. Alterações no exame físico e nos testes de sangue podem apontar quadros de doença crônica no fígado ou mesmo cirrose. Um sintoma comum em grande parte dos casos é a chamada icterícia, que são os olhos amarelados.

(Foto: Divulgação).

Segundo a Sociedade Brasileira de Hepatologia, em um terço dos casos, a doença se manifesta de forma aguda, parecida com uma hepatite viral: com icterícia, mal estar, dor abdominal, náuseas e vômitos. Já as formas assintomáticas, diagnosticadas em exames de check-up, são pouco frequentes.

A doença pode provocar a insuficiência hepática aguda grave, que consiste na parada súbita do funcionamento do fígado, com necessidade de transplante hepático de urgência.

Diagnóstico e tratamento

A ausência de exames específicos para o diagnóstico da hepatite autoimune pode dificultar a identificação precoce da doença.

O quadro clínico leva a um aumento das enzimas do fígado, principalmente AST e ALT, dos níveis de gamaglobulina e pela presença de autoanticorpos. Os índices podem ser dosados a partir de exames de sangue.

A médica hepatologista Débora Terrabuio, do Hospital de Clínicas de São Paulo, explica que as alterações também podem ser causadas por outras doenças e pode ser necessário reunir dados clínicos, laboratoriais e biópsia hepática para a conclusão do diagnóstico.

“O diagnóstico é difícil, a doença é rara e o hepatologista tem que montar um quebra-cabeça com os achados da história, exame físico, exames de sangue e biópsia hepática. Embora os autoanticorpos sejam muito frequentes, eles podem estar presentes em outras doenças, principalmente reumatológicas”, explica Débora.

O tratamento é realizado a partir de medicamentos capazes de suprimir a ação do sistema imune, chamados imunossupressores. Além de trazer melhorias dos sintomas, os fármacos atuam para reverter a inflamação no fígado.

As drogas mais comumente utilizadas são azatioprina e prednisona, que são fornecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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