Home Bastidores PEC muda critérios de repasse às prefeituras e dá peso de 80% à população

PEC muda critérios de repasse às prefeituras e dá peso de 80% à população

por administrador
Compartilhe

PEC em análise na Assembleia prevê distribuição de 25% da arrecadação estadual do IBS aos municípios, com peso de 80% para o número de habitantes

As 79 prefeituras de Mato Grosso do Sul poderão ter mudanças na distribuição das receitas tributárias com a implantação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).

Uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), encaminhada pelo governador Eduardo Riedel (PP) à Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), estabelece novas regras para o repasse de recursos aos municípios, dando maior peso ao número de habitantes de cada cidade.

Criado pela reforma tributária aprovada em 2023 e regulamentado em 2025, o IBS unifica a tributação sobre bens e serviços e substituirá gradualmente o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), estadual, e o ISS (Imposto Sobre Serviços), municipal.

A transição terá início em 2027, com conclusão prevista para 2033.

Pelo texto da PEC, as prefeituras, representadas pela Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul), receberão 25% da parcela estadual arrecadada com o novo imposto. Desse montante, 80% serão distribuídos conforme o número de habitantes, 10% por indicadores educacionais, 5% por critérios de preservação ambiental e 5% em partes iguais entre os municípios.

Na prática, a mudança poderá favorecer cidades mais populosas, como Campo Grande e Dourados, enquanto municípios menores terão de se adaptar a uma distribuição menos vinculada à atividade econômica local.

Diferenças em relação ao ICMS

Atualmente, Mato Grosso do Sul destina às prefeituras 25% da arrecadação do ICMS. A divisão considera principalmente o VAF (Valor Adicionado Fiscal), indicador relacionado à movimentação econômica e à geração de riqueza em cada município.

Pelas regras atuais, 65% dos recursos são distribuídos conforme o VAF, enquanto os 35% restantes seguem critérios estabelecidos pela legislação estadual, incluindo indicadores educacionais e ambientais.

Esse modelo permite que municípios com forte atividade industrial, agropecuária ou comercial recebam parcelas expressivas do imposto, mesmo quando possuem população relativamente pequena.

Com a implantação do IBS, a participação de cada prefeitura na arrecadação poderá mudar. Entretanto, os impactos financeiros dependerão das receitas efetivamente arrecadadas e das regras nacionais de transição, que preveem uma substituição gradual do sistema atual.

Mudanças na arrecadação municipal

Além de alterar a distribuição dos recursos, o IBS terá competência compartilhada entre estados e municípios, diferentemente do modelo atual, em que ICMS e ISS são cobrados separadamente.

O Governo do Estado e cada prefeitura deverão aprovar leis específicas para estabelecer suas respectivas alíquotas, respeitando as normas nacionais da reforma tributária.

A mudança também altera a lógica de arrecadação, com a tributação passando gradualmente a considerar o destino do consumo, e não apenas a origem das operações. Essa alteração poderá modificar a distribuição das receitas entre regiões produtoras e consumidoras.

Para as administrações municipais, o novo sistema exigirá acompanhamento das receitas e planejamento orçamentário, especialmente nas cidades que atualmente dependem de repasses expressivos do ICMS para financiar serviços públicos e investimentos.

A PEC ainda depende de análise e votação na Assembleia Legislativa. Caso seja aprovada, Mato Grosso do Sul terá suas regras constitucionais adaptadas à reforma tributária nacional, com efeitos sobre as finanças municipais nos próximos anos.

Compartilhe

Esse site usa cookies para melhorar sua experiência. Nós assumimos que você ta ok com isso, porém você também não aceitar. Eu aceito. Não aceito.