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Paraguai oferece crédito industrial a 8,5% ao ano e amplia atratividade para empresas brasileiras

por administrador
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Programa de US$ 100 milhões prevê prazo de até 15 anos e garantia pública para investimentos; condições incluem agroindústrias, mas comparação com o Brasil exige considerar câmbio e custo total

O Paraguai passou a oferecer uma linha de US$ 100 milhões para investimentos industriais, com juros de 8,5% ao ano em dólares ou 10,5% em guaranis, prazo de até 15 anos e carência de três anos. Disponível desde 1º de outubro, o programa Paraguay Industrial permite financiar a construção de fábricas, a ampliação de unidades e a aquisição de máquinas, equipamentos e tecnologia.

A iniciativa acrescenta crédito de longo prazo à estratégia paraguaia de atração de investimentos produtivos. Para empresas brasileiras que avaliam expandir suas operações no país vizinho, financiamento e garantias passam a integrar a comparação com fatores como tributação, logística e custos de produção.

Entre os segmentos contemplados estão alimentos e agroindústria, metalmecânica, têxteis e confecções, madeira e outras manufaturas, com foco em indústrias de médio e grande porte.

Garantia pública busca facilitar acesso ao financiamento

Além da linha de crédito, o Paraguai criou o Fundo de Garantia para a Indústria (Fogain), que pode cobrir até 50% do risco de operações de até US$ 2,5 milhões. O mecanismo busca facilitar a contratação por empresas que não tenham garantias suficientes.

O Paraguay Industrial é operado pela Agência Financeira de Desenvolvimento (AFD) em parceria com o Ministério da Indústria e Comércio (MIC).

Bancos, financeiras e cooperativas credenciados são responsáveis pela análise das operações. Ao ministério cabe verificar o enquadramento dos projetos no programa.

Para Suelen Raizer, fundadora da Frontexa, consultoria que assessora empresas brasileiras na estruturação de operações internacionais, as novas condições ampliam os elementos considerados na decisão de investimento.

Segundo ela, a atração de capital brasileiro pelo Paraguai vinha sendo associada principalmente às condições tributárias e aos custos produtivos. Agora, o prazo do financiamento e a disponibilidade de garantias também ganham peso na escolha de onde instalar ou ampliar uma unidade industrial.

Taxa em dólares exige atenção na comparação com o BNDES

Dados do Banco Central citados no levantamento mostram que a taxa média das novas operações de financiamento de investimentos para pessoas jurídicas com recursos do BNDES foi de 13,33% ao ano em julho de 2026.

A taxa de 8,5% do programa paraguaio fica 4,83 pontos percentuais abaixo dessa média. A diferença nominal, entretanto, não determina qual financiamento terá menor custo para cada empresa.

Como a linha paraguaia é denominada em dólares, uma indústria com receitas em reais ou guaranis fica exposta às oscilações cambiais. No Brasil, as condições também variam conforme a modalidade contratada, a finalidade do investimento, o perfil da empresa, as garantias e a instituição financeira.

Suelen ressalta que a avaliação deve reunir moeda da dívida e da receita, custo total, prazo, carência e garantias. Para uma exportadora que recebe em dólares, a exposição pode ser diferente daquela de uma indústria voltada ao mercado doméstico.

Capital brasileiro já participa de 165 empresas de maquila

O financiamento chega a um mercado que já conta com presença empresarial brasileira. Segundo o MIC, 165 firmas do regime de maquila têm participação de capital brasileiro, integral ou misto.

Nesse regime, voltado à produção para exportação, há uma alíquota tributária de 1%. Entre janeiro e agosto de 2026, as exportações das indústrias maquiladoras somaram US$ 1,01 bilhão, crescimento de 26% frente ao mesmo período de 2025.

Cerca de 60% das vendas tiveram o Brasil como destino. Autopeças responderam por 32% do valor exportado, enquanto têxteis e confecções representaram 16%.

Crédito à indústria cresce no Paraguai

A AFD informou ter aprovado US$ 108,8 milhões para o setor industrial em 2026, distribuídos em 172 operações. No mesmo período de 2025, o valor foi de US$ 18 milhões, o que representa uma expansão de aproximadamente 503%.

Na avaliação de Suelen, o crescimento do crédito amplia a discussão sobre a viabilidade de produzir no Paraguai. Além da diferença tributária, as empresas passam a considerar as condições para financiar a implantação e a expansão das operações.

Logística e fornecedores também definem viabilidade

As condições financeiras representam apenas uma parte da decisão industrial. Disponibilidade de mão de obra, fornecedores, infraestrutura, transporte, tributação, regras de origem e acesso ao mercado consumidor podem alterar o resultado de cada projeto.

Para agroindústrias e demais empresas brasileiras, a análise precisa considerar como esses fatores se combinam com o financiamento e com a moeda das receitas.

Suelen destaca que uma taxa menor pode contribuir para a competitividade, mas sua vantagem depende do custo e do risco da operação completa, incluindo eventuais limitações logísticas e a exposição cambial.

Fonte: Portal do Agronegócio

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