Relação de troca cai para 8,85 arrobas por bezerro em São Paulo, menor nível desde abril; levantamento da Terra Investimentos mostra recuperação do poder de compra, sem garantia de margem na engorda
A alta do boi gordo melhorou o poder de compra dos pecuaristas que precisam renovar seus lotes. Na segunda-feira (5), eram necessárias 8,85 arrobas para adquirir um bezerro em São Paulo, a menor relação de troca desde 23 de abril, segundo levantamento da Terra Investimentos com dados do Cepea/Esalq-USP e da B3.
Desde 28 de setembro, a arroba avançou 3,6%, para R$ 372,95, enquanto o bezerro se valorizou 1%. Como o animal destinado ao abate subiu mais rapidamente, a quantidade de arrobas necessária para comprar a reposição diminuiu em todos os pregões do intervalo analisado.
O movimento favorece quem vende boi gordo e compra bezerros, mas exige atenção: a relação atual ainda supera a média de dez anos, de 8,62 arrobas por cabeça. Além disso, a melhora no custo relativo de aquisição não assegura rentabilidade no próximo ciclo.
Relação de troca recua após reposição mais cara em julho
O levantamento utiliza como referências o bezerro paulista a R$ 3.300,86 por cabeça e o boi gordo a R$ 372,95 por arroba. A divisão entre os dois preços resulta nas 8,85 arrobas necessárias para adquirir um animal de reposição.
Quanto menor essa relação, maior a capacidade de compra de quem comercializa boi gordo e utiliza parte da receita para renovar o rebanho.
Em julho, eram necessárias 9,46 arrobas por bezerro, maior relação desde outubro de 2021. Frente àquela média mensal, a referência diária de 5 de outubro representa uma redução de aproximadamente 6,4% na quantidade de arrobas comprometida com a compra.
A média de setembro foi de 9,23 arrobas. Nos três primeiros pregões de outubro, o indicador ficou em 8,91 arrobas, abaixo das 9,07 registradas na média de outubro de 2025. A comparação ainda é parcial e pode mudar com a evolução das cotações.
Boi de 20 arrobas equivale à compra de 2,26 bezerros
Pelos preços utilizados no estudo, um boi de 20 arrobas geraria receita bruta de R$ 7.459. Esse valor corresponde à aquisição de aproximadamente 2,26 bezerros, antes de despesas e descontos.
Na relação média de julho, as mesmas 20 arrobas equivaliam a cerca de 2,11 animais de reposição.
O exemplo evidencia a recuperação do poder de compra, mas não representa lucro. A receita precisa remunerar os custos do animal vendido, enquanto o novo lote exigirá alimentação, manejo, cuidados sanitários e capital até a comercialização.
Por isso, a decisão de compra deve considerar tanto o preço do bezerro quanto o custo das próximas arrobas produzidas e a receita esperada ao final da recria e da engorda.
Histórico indica melhora na entressafra, mas não garante continuidade
Segundo o estudo de Geraldo Isoldi citado no levantamento, a relação de troca costuma alcançar seus níveis mais elevados em maio e junho e recuar durante a entressafra, até novembro.
Na série analisada pela Terra, novembro apresentou uma relação inferior à de junho em 17 dos últimos 20 anos.
Esse comportamento pode ocorrer mesmo quando o bezerro também se valoriza, desde que a arroba avance mais rapidamente. Entretanto, o histórico não determina o resultado de 2026. Uma aceleração dos preços da reposição ou uma perda de força do boi gordo pode reduzir o ganho recente de poder de compra.
B3 sinaliza relação menor, com diferença entre os prazos
No retrato do mercado futuro apresentado pela Terra, os últimos preços negociados em 5 de outubro de 2026 estavam próximos de R$ 393 a R$ 395 por arroba para os contratos entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Mantido o preço de R$ 3.300,86 por bezerro, os valores resultariam nas seguintes relações:
- Novembro de 2026: boi gordo a R$ 394,70 por arroba, equivalente a 8,36 arrobas por bezerro.
- Dezembro de 2026: R$ 392,75 por arroba, com relação de 8,40 arrobas.
- Janeiro de 2027: R$ 393,60 por arroba, equivalente a 8,39 arrobas.
Esses cálculos combinam o preço atual da reposição com cotações futuras do boi gordo. Portanto, não representam o resultado financeiro de um bezerro adquirido agora.
O material ressalta que esse animal será terminado em 2027, após os vencimentos apresentados. A diferença entre o prazo de produção e o contrato utilizado como referência precisa ser considerada na avaliação.
Custo completo e capacidade da fazenda orientam a reposição
Para aproveitar a melhora da relação de troca, o pecuarista precisa avaliar o desembolso total e as condições de produção do próximo lote. Entre os pontos destacados estão:
- Custo de entrada: preço dos animais, frete, comissões e demais despesas.
- Estrutura disponível: pastagens, água e suplementação compatíveis com o lote.
- Prazo de terminação: peso, idade e desempenho esperado até a venda.
- Cenários de resultado: impacto de uma arroba menor, custos maiores ou ganho de peso abaixo do previsto.
- Capital de giro: recursos necessários para sustentar os animais durante o ciclo.
Para quem tem boi pronto para comercialização, aproximar a venda do lote terminado e a compra da reposição pode diminuir a exposição às mudanças de preços entre as operações.
Bezerro valorizado mantém desafios para o criador
A queda da relação de troca não significa que o bezerro perdeu valor. No período analisado, seu preço aumentou, mas em ritmo inferior ao do boi gordo.
Para o criador, a rentabilidade continua relacionada à eficiência reprodutiva, ao número de animais desmamados e ao custo de manutenção das matrizes.
O levantamento mostra, assim, um alívio para a reposição após meses de custo relativo mais elevado. Transformar essa melhora em margem dependerá da qualidade da compra e da capacidade produtiva e financeira de cada propriedade.
Fonte: Portal do Agronegócio
