Home Bastidores Após morte de aluna de 29 anos, proposta de Hospital Binacional ganha dimensão humana em Ponta Porã

Após morte de aluna de 29 anos, proposta de Hospital Binacional ganha dimensão humana em Ponta Porã

por Alexandro Zinho
Compartilhe

Maria Caroline Azevedo Freitas, a Carol, morava em Dourados e cursava Medicina em Pedro Juan Caballero. Homenagem feita pela Universidade Interamericana reacende debate sobre Hospital Binacional de Fronteira

Ponta Porã (MS) – Quando os balões brancos subiram ao céu durante o 13º Arraiá da Universidade Interamericana, não era apenas uma festa. Entre colegas, professores e amigos, havia silêncio e a lembrança de uma jovem de 29 anos que escolheu a Medicina porque queria cuidar de pessoas.

Maria Caroline Azevedo Freitas, a Carol, morreu no dia 23 de junho de 2026, no Hospital da Vida, em Dourados, após sofrer um grave acidente de trânsito no perímetro urbano de Ponta Porã no fim de semana anterior. Moradora de Dourados e estudante de Medicina da Universidade Interamericana, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, era descrita por pessoas próximas como dedicada, gentil e profundamente humana.

Ela foi socorrida inicialmente no Hospital Regional de Ponta Porã com traumatismo craniano e múltiplas fraturas e transferida para Dourados devido à gravidade do quadro. Ficou internada na UTI do Hospital da Vida desde o fim de semana do acidente. Na segunda-feira, dia 22, foi iniciado o protocolo de morte cerebral, confirmado na terça-feira, dia 23. Em meio à dor, a família autorizou a doação de órgãos.

Uma homenagem onde se aprende a cuidar

Pouco tempo depois, o CEO da Universidade Interamericana e candidato a deputado federal Carlos Bernardo (União Brasil) anunciou que uma das clínicas-escola da instituição passará a levar o nome de Maria Caroline Azevedo Freitas.

A escolha tem um significado especial. É justamente na clínica-escola que estudantes dão os primeiros passos no atendimento à população, transformando conhecimento em acolhimento – exatamente o caminho que Carol havia escolhido para si.

“A Carol convivia de perto com a gente, cuidava do meu filho mais novo, então essa perda se tornou a mais difícil para todos nós. Dar o nome dela a uma de nossas clínicas-escola é uma forma de manter viva sua memória e reconhecer tudo o que ela representou para nós”, afirmou Carlos Bernardo.

As sete clínicas-escola da Universidade Interamericana atendem hoje mais de 40 mil pessoas por ano, com serviços gratuitos a brasileiros e paraguaios, incluindo consultas, exames e fornecimento de medicamentos.

O gargalo da saúde na fronteira

A história de Carol é particular e não é possível afirmar que uma estrutura hospitalar diferente teria alterado o desfecho do acidente. Mas sua morte humaniza um problema recorrente para quem vive entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero: como ampliar a capacidade de atendimento próximo de onde as pessoas vivem, especialmente nos casos de maior complexidade.

Atualmente, casos graves da fronteira precisam ser transferidos por mais de 120 km até Dourados para acesso a serviços como neurocirurgia, hemodinâmica e trauma de alta complexidade.

O projeto do Hospital Binacional

É nesse cenário que se insere a proposta apresentada por Carlos Bernardo: a implantação do Hospital Binacional de Fronteira, em Ponta Porã.

Conforme divulgado pela candidatura, o projeto prevê uma unidade construída no lado brasileiro, em área na saída de Ponta Porã em direção a Dourados, mas estruturada a partir de cooperação entre Brasil e Paraguai. A proposta é de uma estrutura voltada para urgência, emergência e alta complexidade, com gestão pactuada entre os dois países e busca de apoio da Itaipu Binacional para implantação.

O objetivo informado é reduzir a necessidade de pacientes da fronteira viajarem para centros como Dourados, Campo Grande e Três Lagoas em busca de determinados procedimentos.

Enquanto a construção do hospital ainda depende de articulação política, recursos e acordos bilaterais, a memória de Carol já ganhou um endereço: uma clínica onde outros estudantes continuarão o caminho que ela começou – estudar Medicina, atender pessoas e aprender a cuidar.

Balões brancos foram soltos durante o 13º Arraiá da Universidade Interamericana em homenagem à estudante Maria Caroline Azevedo Freitas, de 29 anos.

Compartilhe

Esse site usa cookies para melhorar sua experiência. Nós assumimos que você ta ok com isso, porém você também não aceitar. Eu aceito. Não aceito.

Olá, como posso te ajudar?