A última ofensiva da Rússia na região leste do Donbass começou, disse um alto funcionário ucraniano nesta segunda-feira (11), alertando que a Rússia continua acumulando forças no local.
“Temos que entender que não será a repetição de 24 de fevereiro, quando os primeiros ataques aéreos e explosões começaram e dissemos: ‘A guerra começou.’ A grande ofensiva de fato já começou.”
Denysenko observou explosões durante a noite na região de Dnipropetrovsk e disse que o bombardeio de Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, também continuou.
A ofensiva também foi observada e relatada pelo Ministério da Defesa do Reino Unido em um boletim nesta segunda-feira.
Além disso, o uso prévio de munições de fósforo pelas forças russas na região de Donetsk também aumenta a possibilidade de seu futuro emprego em Mariupol, à medida que a luta pela cidade se intensifica, disse a inteligência militar britânica.
Em meio ao avanço dos russos, nove corredores humanitários para evacuar pessoas das regiões do leste sitiadas da Ucrânia foram acordados para esta segunda entre Kiev e Moscou, incluindo cinco na região de Luhansk, disse a vice-primeira-ministra da Ucrânia, Iryna Vereshchuk.
Segundo autoridades europeias, a ofensiva russa na região leste da Ucrânia faz parte de uma estratégia de tentar obter algum tipo de vitória na guerra até o dia 9 de maio. Na data, o país comemora o Dia da Vitória sobre a Alemanha na Segunda Guerra Mundial.
Novas sanções
Mais sanções da União Europeia contra a Rússia são uma opção, disse o principal diplomata do bloco nesta segunda, quando perguntado se a UE está pronta para considerar um embargo de petróleo russo.
“As sanções estão sempre na mesa”, disse Josep Borrell a repórteres ao chegar para uma reunião com os ministros das Relações Exteriores da UE em Luxemburgo. “Os ministros vão discutir quais são os próximos passos”, disse ele.
O ministro das Relações Exteriores da Irlanda, Simon Coveney, disse que a Comissão Europeia está trabalhando em detalhes de um embargo de petróleo à Rússia como parte de um possível próximo pacote de sanções, mas que nada foi decidido ainda.
Aeroporto de Dnipro foi destruído, diz Ucrânia
Forças russas realizaram ataques com mísseis neste domingo (10) nas regiões de Dnipropetrovsk, Mykolaiv e Kharkiv, localizadas no leste e sul da Ucrânia, o que resultou na destruição do aeroporto de Dnipro, disse o chefe da administração regional do local, Valentyn Reznichenko.
“É mais um ataque ao aeroporto de Dnipro”, disse ele. “Já não sobrou nada. O aeroporto e a infraestrutura próxima foram destruídos. Mas os mísseis continuam voando.”
A nova investida foi realizada com mísseis de lançamento marítimo de alta precisão e atingiram “o quartel-general e a base do batalhão nacionalista de Dnipro, onde chegaram reforços de mercenários estrangeiros outro dia”, afirmou o porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, o general Igor Konashenkov, em um comunicado.
Além disso, também foram alvos a “área do assentamento de Stara Bohdanivka, região de Mykolaiv e no aeródromo militar de Chuhuiv [na região de Kharkiv]”, onde foram destruídos “lançadores dos sistemas de mísseis antiaéreos S-300 ucranianos”, complementa a nota.
Não foram divulgadas informações sobre vítimas.
Veja o que foi destaque nas últimas 24 h:
- Primeiro-ministro da Áustria se encontrará com Putin em Moscou nesta segunda
- Nova fase ofensiva em Donbass já começou, diz Reino Unido e Ucrânia
- Rússia realiza novos ataques e atinge aeroporto de Dnipro
- Boris Johnson se réune com Volodymyr Zelensky em Kiev
- Rússia ataca depósitos de munição ucraniana
- Ataque a estação de trem em Kramatorsk deixa ao menos 50 mortos; governo russo nega autoria;
- Mais de 160 corpos foram achados em Bucha;
- União Europeia vê indícios de crimes de guerra na Ucrânia;
Primeiro-ministro da Áustria se encontra com Putin em Moscou
O chanceler austríaco, Karl Nehammer, disse no domingo que se reunirá com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou nesta segunda-feira.
“Vou me encontrar com Vladimir Putin em Moscou amanhã. Nós [Áustria] somos militarmente neutros, mas temos uma posição clara sobre a guerra de agressão russa contra a Ucrânia”, disse Nehammer em sua conta oficial no Twitter.

Falando antes de uma reunião da UE em Luxemburgo, o ministro das Relações Exteriores da Áustria, Alexander Schallenberg, disse a repórteres que “faz diferença estar cara a cara e dizer a ele qual é a realidade: que este presidente de fato perdeu a guerra moralmente”.
A Áustria não faz parte da Otan e não fornece armas à Ucrânia. No entanto, forneceu à Ucrânia ajuda humanitária, além de capacetes e coletes de proteção para uso civil, de acordo com um comunicado da chancelaria austríaca.
Kremlin: adesão de Finlândia e Suécia à Otan não trará estabilidade à Europa
O Kremlin disse que a possível adesão da Suécia e da Finlândia à aliança militar da Otan não traria estabilidade à Europa.
“Dissemos repetidamente que a aliança continua sendo uma ferramenta voltada para o confronto e sua expansão não trará estabilidade ao continente europeu”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a repórteres em uma teleconferência quando perguntado sobre a possibilidade de Suécia e Finlândia ingressarem na Otan.
Autoridades da Otan disseram à CNN que as discussões sobre a adesão da Suécia e da Finlândia ao bloco ficaram extremamente sérias desde a invasão russa à Ucrânia.

Zelensky discute mais sanções contra Rússia com Olaf Scholz, da Alemanha
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse no domingo que conversou por telefone com o chanceler alemão Olaf Scholz e os dois discutiram possíveis novas sanções à Rússia, bem como defesa e apoio financeiro à Ucrânia.
“Tive uma conversa telefônica com Olaf Scholz. Enfatizamos que todos os perpetradores de crimes de guerra devem ser identificados e punidos”, disse Zelensky em sua conta oficial no Twitter. “Também discutimos sanções anti-russas, defesa e apoio financeiro para a Ucrânia”, escreveu.
Reino Unido diz que Rússia busca reforçar seu exército após aumento de perdas
A inteligência militar do Reino Unido, em boletim sobre a situação da guerra divulgado neste domingo (10), afirmou que as forças armadas russas tentam fortalecer o exército com pessoal dispensado do serviço militar desde 2012, em resposta ao “aumento de perdas” no conflito.
Esse esforço também incluiria a tentativa de recrutar combatentes da região da Transnístria, na Moldávia, ainda segundo o relatório do Ministério da Defesa britânico publicado no Twitter.
No sábado (9), a inteligência militar britânica disse que a Rússia continua a atacar civis e que o foco de seu exército está nas regiões de Donbass, Mariupol e Mykolaiv. Além disso, a instituição fez a previsão de que os combates e ataques aéreos devem aumentar no sul e leste da Ucrânia, visando auxiliar a operação nas regiões citadas acima.
EUA dizem que vão fornecer armas que Ucrânia precisa para guerra
Os Estados Unidos estão comprometidos em fornecer à Ucrânia “as armas que precisa” para se defender contra a Rússia, disse o assessor de segurança nacional do país, Jake Sullivan, neste domingo (10), enquanto a Ucrânia busca mais ajuda militar do Ocidente.
Sullivan disse que o governo Biden enviará mais armas para a Ucrânia para impedir que a Rússia tome mais território e alveje civis, ataques que Washington classificou como crimes de guerra.
Os Estados Unidos enviaram US$ 1,7 bilhão em assistência militar à Ucrânia desde que a Rússia lançou sua invasão em 24 de fevereiro, informou a Casa Branca na semana passada.
Além disso, a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, disse que a nomeação de uma nova liderança militar pela Rússia “mostra que haverá uma continuação do que já vimos na Ucrânia”.
“E é isso que esperamos”, disse Psaki a Dana Perino, em entrevista à Fox News Sunday. Psaki chamou Dvornikov de responsável pelas “atrocidades que vimos na Síria” e disse que, para a Ucrânia, os EUA continuam com funcionários trabalhando para garantir que eles tenham o armamento e a assistência necessários para ter sucesso no campo de batalha.
Boris Johnson e Zelensky se encontram em Kiev
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, recebeu o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, em Kiev no sábado (9). Pelo Twitter, a embaixada do Reino Unido na Ucrânia postou uma foto dos dois líderes sentados em uma sala de reuniões com a legenda “surprise” (surpresa, em português).
“O primeiro-ministro viajou para a Ucrânia para se encontrar pessoalmente com o presidente Zelensky, em uma demonstração de solidariedade ao povo ucraniano. Eles discutirão o apoio de longo prazo do Reino Unido à Ucrânia e o primeiro-ministro estabelecerá um novo pacote de ajuda financeira e militar”, disse um porta-voz de Downing Street.
