Área cultivada cresce 2,1%, produtividade aumenta 16,6% e produção total alcança 16,7 milhões de toneladas
A safra de soja 2025/2026 em Mato Grosso do Sul foi encerrada com resultados acima das projeções iniciais, consolidando um dos melhores desempenhos da cultura no Estado. O balanço final foi divulgado pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), em parceria com o Sistema Famasul e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).
De acordo com os dados consolidados, a área cultivada atingiu 4,62 milhões de hectares, crescimento de 2,1% em comparação à safra anterior, quando foram plantados 4,52 milhões de hectares. A produtividade média estadual fechou em 60,40 sacas por hectare, resultado 16,6% superior ao registrado no ciclo 2024/2025.
Com o avanço da produtividade, a produção total alcançou 16,744 milhões de toneladas, representando aumento de 19,1% em relação à safra passada, que somou 14,06 milhões de toneladas. O volume também superou as estimativas iniciais, que apontavam produtividade média de 52,8 sacas por hectare e produção de 15,2 milhões de toneladas.
Segundo o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, o cenário demonstra uma mudança no perfil de crescimento da sojicultura sul-mato-grossense. Após anos de forte expansão territorial, o setor passa a concentrar esforços em ganhos de eficiência e produtividade.
O levantamento realizado pelo Projeto SIGA-MS mostrou que as regiões norte e nordeste foram decisivas para o desempenho estadual. A região norte apresentou a maior produtividade média, alcançando 68,01 sacas por hectare e respondendo por 18,4% de toda a produção de soja do Estado.
Já a região sul, que concentra 60,8% da área cultivada, registrou produtividade média de 59,20 sacas por hectare. A região central respondeu por 22,9% da área monitorada, com média de 58,17 sacas por hectare.
Entre os municípios, Alcinópolis liderou o ranking estadual de produtividade, alcançando média de 81,85 sacas por hectare em uma área de 7.846 hectares. Também se destacaram Costa Rica, com 76,91 sacas por hectare, Chapadão do Sul, com 75,65 sacas por hectare, e Três Lagoas, com 73,50 sacas por hectare.
No ranking de produção, Ponta Porã confirmou sua posição de destaque no agronegócio estadual. O município cultivou 362.624 hectares de soja e registrou produtividade média de 67,50 sacas por hectare, resultando em uma produção superior a 1,46 milhão de toneladas, a maior de Mato Grosso do Sul na safra 2025/2026.
Maracaju aparece na segunda posição, com produção de 1,28 milhão de toneladas, seguido por Sidrolândia, que alcançou 963,6 mil toneladas.
Por outro lado, alguns municípios apresentaram rendimento abaixo da média estadual, impactando os indicadores gerais da safra. Entre eles estão Bela Vista, com produtividade de 47,65 sacas por hectare em 83.005 hectares cultivados, e Iguatemi, com média de 40,29 sacas por hectare em uma área de 67.718 hectares.
O ciclo produtivo foi marcado por desafios climáticos. O plantio começou sob influência de estiagem prolongada e chuvas abaixo da média histórica. Apesar das dificuldades iniciais, a semeadura avançou e foi concluída integralmente em dezembro de 2025.
Na sequência, o mês de dezembro apresentou condições favoráveis para o desenvolvimento das lavouras, com precipitações acima da média em praticamente todas as regiões do Estado. Entretanto, em janeiro de 2026, a volta da estiagem e as altas temperaturas provocaram estresse hídrico e térmico, especialmente nas áreas do sul do Estado.
A recuperação das lavouras ocorreu entre fevereiro e março, quando o retorno das chuvas favoreceu o enchimento dos grãos e contribuiu para a consolidação dos resultados observados na colheita, encerrada em maio.
Para a Aprosoja/MS, o levantamento reforça a importância de direcionar investimentos e políticas públicas para ampliar a produtividade nas regiões que ainda apresentam desempenho abaixo da média. O estudo também destaca a irrigação como uma das principais ferramentas para elevar a competitividade e reduzir os impactos causados pelas oscilações climáticas.
