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China amplia produção de carnes e eleva concorrência com exportadores como o Brasil

por Alexandro Zinho
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Recomposição do setor pecuário reduz importações e reposiciona o país asiático no comércio global de proteínas

O mercado global de proteínas animais passa por uma transformação significativa com o avanço da China, que deixa de atuar apenas como grande compradora para assumir também o papel de fornecedora. A mudança altera a dinâmica do comércio internacional e acende um alerta entre países exportadores, como o Brasil.

A avaliação é de Nivio Domingues, fundador e diretor da Samba Export Brazil Origin Commodities, ao analisar o processo de recuperação da produção chinesa e seus impactos no fluxo global de carnes.

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Recuperação produtiva muda o jogo global

Durante anos, o mercado operou sob uma lógica relativamente previsível: a China importava grandes volumes de carne, enquanto países como o Brasil ampliavam sua presença como fornecedores estratégicos.

Esse cenário começou a mudar após crises sanitárias, como a Peste Suína Africana e episódios de Gripe Aviária, que impactaram fortemente a produção chinesa. Com o controle dessas doenças, o país iniciou um intenso processo de recomposição do rebanho e da estrutura produtiva.

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Carne suína: queda nas importações

O movimento é mais evidente no setor de carne suína. A produção chinesa, que caiu para 36,3 milhões de toneladas em 2020, deve alcançar cerca de 59,5 milhões de toneladas neste ano.

Como consequência, as importações recuaram de 5,3 milhões para menos de 1 milhão de toneladas, enquanto as exportações devem atingir aproximadamente 145 mil toneladas. Em 2020, o Brasil chegou a responder por 55% das compras chinesas — participação que tende a diminuir diante do novo cenário.

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Frango: avanço como exportadora

No segmento de carne de frango, a tendência também é de crescimento. A produção chinesa deve avançar de 14,6 milhões de toneladas em 2020 para cerca de 17,3 milhões em 2026, impulsionada por políticas de incentivo, como subsídios e maior oferta de ração.

Com isso, a China caminha para se consolidar como exportadora líquida, com embarques estimados em 1,4 milhão de toneladas, ampliando a concorrência nos mercados internacionais.

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Brasil mantém protagonismo

Apesar das mudanças, o Brasil segue como um dos principais players globais no setor de proteínas. A produção nacional de carnes bovina, suína e de frango deve atingir 33,1 milhões de toneladas, cerca de 11% da produção mundial.

No comércio exterior, o país deve exportar aproximadamente 11,3 milhões de toneladas, respondendo por 29% das exportações globais — indicador que reforça sua relevância no abastecimento internacional.

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Carne bovina sustenta demanda chinesa

Diferentemente dos demais segmentos, a China ainda depende significativamente das importações de carne bovina. A produção local está estimada em 7,6 milhões de toneladas, enquanto o consumo deve alcançar 10,8 milhões.

As importações projetadas somam 3,2 milhões de toneladas, embora representem queda de cerca de 13% em relação a 2025. A retração está associada à adoção de cotas pelo governo chinês para proteger o mercado interno.

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Novo cenário exige estratégia

A mudança no posicionamento da China sinaliza um ambiente mais competitivo e dinâmico no comércio global de carnes. Para o Brasil, o desafio será manter a competitividade, diversificar mercados e agregar valor às exportações.

Com a evolução da produção chinesa e a redução da dependência externa, o setor entra em uma nova fase — na qual eficiência produtiva, sanidade e estratégia comercial serão determinantes para sustentar participação e crescimento no mercado internacional.

Com informações: Portal do Agronegócio

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