Pacto entre Mercosul e União Europeia pode adicionar até US$ 7 bilhões às exportações brasileiras
O Brasil entra em uma nova etapa de sua política comercial com a consolidação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, resultado de mais de duas décadas de negociações. A parceria garante acesso preferencial a um dos maiores mercados consumidores do mundo, estimado em US$ 22 trilhões, e pode gerar um aumento de até US$ 7 bilhões nas exportações nacionais, conforme projeções da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
De acordo com o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, o avanço só foi possível graças à articulação política e diplomática conduzida ao longo dos últimos anos. “Foi um trabalho contínuo, com participação direta do presidente Lula, além da atuação integrada da ApexBrasil, do Itamaraty e do escritório brasileiro em Bruxelas”, afirmou.
Para Aloysio Nunes, responsável pelos Assuntos Estratégicos da ApexBrasil na Europa, o acordo reposiciona o Brasil no cenário internacional. Segundo ele, a relação comercial com a União Europeia já é uma das mais relevantes para o país, ficando atrás apenas da China, com fluxo equilibrado entre exportações e importações.
Bloco europeu concentra alto poder econômico e consumo
Em um contexto internacional marcado por disputas comerciais e retração de mecanismos multilaterais, o acordo surge como sinal de estabilidade e integração econômica. Jorge Viana destaca que a iniciativa contraria a tendência global de fragmentação. “Enquanto muitos países erguem barreiras, Mercosul e União Europeia apostam na cooperação e na abertura de mercados”, avaliou.
A União Europeia reúne mais de 700 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto estimado em US$ 22 trilhões, o que a coloca entre as maiores economias do planeta, atrás apenas dos Estados Unidos.
Comércio qualificado e crescimento das vendas externas
As exportações brasileiras para o bloco europeu já apresentam trajetória de crescimento. Em 2025, houve expansão de 4%, reflexo das estratégias adotadas pela ApexBrasil para ampliar a presença de produtos nacionais em mercados de maior exigência e valor agregado.
Segundo Viana, a qualidade da pauta exportadora é um diferencial do Brasil. Atualmente, mais de um terço das vendas ao bloco europeu é composto por bens industrializados, o que reforça a importância do acordo para a indústria nacional.
Indústria e agronegócio ganham novas oportunidades
O acordo estabelece a redução imediata de tarifas para segmentos industriais estratégicos, como máquinas, equipamentos, autopeças, aeronaves, motores e sistemas de geração de energia, fortalecendo a competitividade do Brasil no comércio internacional.
No setor agropecuário, produtos como carnes bovina e de aves, etanol e outros itens agrícolas terão redução gradual das tarifas, respeitando cotas definidas no acordo. Setores como couro, pedras ornamentais, produtos químicos e utensílios industriais também devem ampliar sua presença no mercado europeu.
Acordo reforça integração produtiva e sustentabilidade
Para o presidente da ApexBrasil, a aproximação entre as economias do Mercosul e da União Europeia cria um ambiente favorável à integração produtiva e ao desenvolvimento sustentável.
“A combinação entre capacidade produtiva e alto poder de consumo gera benefícios para todos os envolvidos. É um acordo que fortalece o comércio internacional de forma equilibrada e responsável”, concluiu Jorge Viana.
