Home Agronegócio Formação ‘vira a chave’ em aldeia e indígenas de MS lucram mais de R$ 2 mil em uma semana de trabalho

Formação ‘vira a chave’ em aldeia e indígenas de MS lucram mais de R$ 2 mil em uma semana de trabalho

por Alexandro Zinho
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Com apoio do Governo do Estado, Empretec Indígena transforma realidade em Antônio João e fortalece política de autonomia econômica nas comunidades tradicionais

Nem a chuva nem o frio foram suficientes para frear o entusiasmo dos participantes do Empretec Indígena, realizado na Aldeia Marangatu, em Antônio João (MS). O seminário, promovido pelo Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Estado da Cidadania, em parceria com o Sebrae/MS e apoio da Prefeitura Municipal, encerrou-se no último sábado (1º) com histórias reais de superação, aprendizado e geração de renda.

Aprendizado que gera resultados

O programa mostrou na prática que formação e oportunidade andam lado a lado. Um dos exemplos mais marcantes é o da professora de Química Jéssica Barbosa de Carvalho, 32 anos, que começou o curso sem planos de empreender — e terminou com uma nova visão de mundo e R$ 2,4 mil em faturamento.

“Eu achava que empreender era só vender algo. Mas aprendi que é atitude, persistência, comprometimento. O medo é o que mais impede a gente de tentar”, relatou Jéssica.

Durante a capacitação, ela integrou o grupo responsável pela criação da empresa fictícia “Estação do Sabor”, que adaptou o cardápio conforme o clima: do sorvete ao caldo quente. Mesmo com o tempo fechado, o grupo enfrentou chuva e barro para vender seus produtos na comunidade — e o resultado surpreendeu: R$ 2.408 arrecadados em apenas cinco dias.

“Descobri que tenho capacidade e quero continuar com o projeto. É possível fazer acontecer dentro da aldeia”, disse.

Empretec Indígena: política pública e inclusão produtiva

Criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e aplicado no Brasil pelo Sebrae, o Empretec é reconhecido mundialmente por desenvolver o comportamento empreendedor. Desde 2024, o Governo de Mato Grosso do Sul passou a implementar a versão Indígena, tornando-se pioneiro no país ao adaptar o método para os povos originários.

O primeiro seminário ocorreu em Brasilândia, com os Ofaié, e inaugurou uma política pública voltada à autonomia econômica e fortalecimento cultural das comunidades indígenas. Em Antônio João, foram seis dias intensos de imersão com 27 participantes, que enfrentaram desafios, criaram empresas simuladas e superaram limites pessoais e coletivos.

“Mesmo com chuva e barro, ninguém desistiu. O que vimos aqui é força, resiliência e crença no próprio potencial”, afirmou o analista do Sebrae e facilitador do Empretec, Francisco Júnior, no encerramento.

Transformação social e reconhecimento político

Para o subsecretário de Políticas Públicas para Povos Originários, Fernando Souza, o Empretec Indígena é mais do que uma capacitação — é uma política pública que rompe barreiras históricas e estimula o protagonismo das comunidades tradicionais.

“Vencemos resistências porque acreditamos no potencial de vocês. Muitos perguntaram por que trazer o Empretec para dentro da aldeia. A resposta está aqui: no brilho dos olhos de quem aprendeu e sonha com o próprio negócio”, destacou Souza.

O gestor lembrou que a iniciativa integra a estratégia do governador Eduardo Riedel, que tem promovido ações voltadas à inclusão produtiva e geração de renda, especialmente entre povos indígenas, quilombolas e comunidades rurais.

“Podemos evoluir e melhorar de vida sem deixar de ser quem somos. Queremos ver nosso povo crescendo, se fortalecendo e construindo um futuro melhor”, completou.

Empreender com raízes fincadas na terra

Entre as histórias inspiradoras, o diretor escolar Adão Benites e a filha Karine Benites decidiram transformar o aprendizado em negócio real. Assim nasceu a Soberana S.A., nome inspirado na comunidade onde vivem — Soberana, uma das 12 divisões da Aldeia Marangatu.

“Já fazíamos doces e caldos antes, mas agora ganhamos confiança para abrir de verdade. Vamos vender frango caipira, carne assada e produtos locais, junto com minha esposa e meu genro”, contou Adão.

A vereadora Inaye Lopes, liderança indígena da Terra Marangatu e participante do seminário, reforçou que o curso era um sonho antigo.

“Queríamos uma formação que mostrasse como usar o território de forma produtiva e sustentável. Tivemos jovens, acadêmicos e até o seu Carlos, com 78 anos, provando que nunca é tarde para aprender. Que venham mais formações como essa”, afirmou.

Expansão e compromisso com o futuro

O Empretec Indígena integra a agenda estadual de transformação social e geração de renda, fortalecendo o empreendedorismo como instrumento de autonomia e inclusão.

Novas edições já estão programadas para outros territórios indígenas, e o Governo do Estado prepara, de forma inédita, o primeiro Empretec Quilombola, em Nioaque, ampliando o alcance da formação e reafirmando o compromisso com o desenvolvimento sustentável e a valorização das comunidades tradicionais de Mato Grosso do Sul.

Com informações: Comunicação da Cidadania

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