O mercado financeiro revisou para baixo, pela segunda semana consecutiva, a previsão de inflação para 2025, passando de 4,81% para 4,80%, de acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (6) pelo Banco Central.
Apesar da leve redução, a projeção ainda se mantém acima do teto da meta de inflação, que é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Ou seja, o limite superior da meta é 4,5%.
Prévia da inflação mostra impactos setoriais
A prévia da inflação de setembro registrou alta de 0,48%, influenciada principalmente pelos preços da energia elétrica. Em agosto, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) havia registrado queda de 0,14%. No acumulado em 12 meses, o indicador chega a 5,32%, segundo o IBGE.
Entre os destaques, os alimentos registraram queda pelo quarto mês seguido, com recuo de 0,35% em setembro e impacto de -0,08 ponto percentual no índice.
Selic segue estável e deve permanecer elevada
Para controlar a inflação, o Banco Central mantém a taxa Selic em 15% ao ano, conforme decisão do Copom. Este percentual permanece inalterado há 15 semanas consecutivas. A ata da última reunião indicou que a taxa deve se manter “por período bastante prolongado”, garantindo a convergência da inflação à meta.
O mercado projeta reduções graduais da Selic nos próximos anos: 12,25% em 2026 e 10,50% em 2027. Taxas mais altas encarecem o crédito, estimulam a poupança e tendem a conter a demanda, enquanto reduções incentivam o consumo e a produção, mas podem pressionar os preços.
Projeções de crescimento econômico e câmbio
A expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 permanece em 2,16%, mantendo-se estável há quatro semanas. Para 2026, o mercado projeta crescimento de 1,80%, e para 2027, 1,90%.
Quanto ao câmbio, o Boletim Focus indica queda na cotação do dólar, que deve encerrar 2025 a R$ 5,45, ante R$ 5,48 na previsão anterior e R$ 5,55 há quatro semanas. Para 2026, a projeção é de R$ 5,53, e para 2027, R$ 5,56.
Perspectiva
A manutenção da Selic em níveis elevados, combinada com moderação na atividade econômica interna, reflete a cautela do mercado diante do cenário externo e dos desafios da inflação. Ao mesmo tempo, as projeções de crescimento do PIB e estabilidade cambial indicam expectativa de recuperação gradual e previsível da economia brasileira nos próximos anos.
