As pesquisas eleitorais começam a redesenhar o tabuleiro político de Mato Grosso do Sul para as eleições de 2026. O mais recente levantamento do Instituto Idop (3.655 entrevistas em 25 municípios, realizado de 20 a 30 de setembro) trouxe um dado emblemático: o empresário Carlos Bernardo (PT), de Ponta Porã, aparece entre os dez nomes mais citados para a Câmara Federal, consolidando-se como a grande novidade na disputa.
A força da novidade
Carlos Bernardo, CEO da Universidade Central do Paraguai (UCP), já havia testado seu nome em 2022 (deputado federal) e em 2024 (prefeito de Ponta Porã). Até então, sua atuação estava restrita à região de fronteira, onde construiu reconhecimento por sua trajetória no ensino superior. Agora, com maior projeção em outras regiões do Estado e apoiado por lideranças nacionais e estaduais como o presidente Lula, Vander Loubet e o ex-governador Zeca do PT, Bernardo passa a ocupar espaço competitivo.
Na pesquisa espontânea, Carlos Bernardo atinge 1,31% das menções e já figura no chamado “G-10” — grupo dos dez pré-candidatos mais lembrados. Esse dado é expressivo porque, entre os nomes listados, ele é o único sem mandato atual ou anterior. Seus concorrentes diretos contam com forte presença midiática e bases eleitorais já consolidadas nos 79 municípios do Estado.
Na estimulada, Bernardo mantém-se entre os dez mais, confirmando que seu nome começa a circular para além da fronteira, rompendo barreiras que antes limitavam sua competitividade.
Senado: equilíbrio pela segunda vaga
Enquanto Bernardo ganha destaque na Câmara, a disputa pelo Senado mostra consolidação e instabilidade ao mesmo tempo. Reinaldo Azambuja (PL) lidera com 23,42% na estimulada, assegurando uma das vagas. A segunda vaga, antes considerada de Nelsinho Trad (PSD), está agora em disputa direta com Vander Loubet (PT), que aparece com 8,55% contra 12,76% de Nelsinho. A diferença está dentro da margem de erro, configurando empate técnico.
Esse avanço de Vander é interpretado por analistas como reflexo do atual ambiente político nacional, em que temas como soberania e defesa da democracia fortalecem nomes ligados ao campo progressista, enquanto pautas da direita bolsonarista enfrentam desgaste.
Câmara Federal: espaço para renovação
A corrida pelas oito cadeiras de deputado federal é marcada pelo alto índice de indecisos (53,35% na espontânea; 39,97% na estimulada). Entre os líderes estão Capitão Contar (3,01%), Rose Modesto (2,37%), Marcos Pollon (2,6%) e Beto Pereira (1,96%).
Nesse cenário, o ingresso de Carlos Bernardo no grupo dos dez primeiros é um divisor de águas. Ele rompe o domínio de políticos tradicionais e abre espaço para uma candidatura de renovação. O fato de ter conquistado posição de destaque sem a mesma exposição que os demais indica potencial de crescimento à medida que seu nome se torna mais conhecido no interior e na capital.
Assembleia Legislativa: tendências de consolidação
Na disputa por cadeiras estaduais, a liderança segue com André Puccinelli (4,09%), enquanto nomes como Gerson Claro, Zé Teixeira e Zeca do PT mantêm posições. Novidades aparecem tanto no campo da direita (Marco Santullo) quanto da esquerda (Landmark Rios e Jean Ferreira), sinalizando renovação parcial.
O que a pesquisa revela
O levantamento do Idop confirma que, a um ano do pleito, o cenário sul-mato-grossense ainda é volátil, mas traz duas conclusões importantes:
- No Senado, há liderança clara de Azambuja e uma disputa aberta pela segunda vaga, onde Vander Loubet se fortalece.
- Na Câmara Federal, apesar da pulverização, a surpresa é Carlos Bernardo, que se projeta como alternativa viável mesmo sem mandato, carregando a bandeira da educação, da renovação política e do fortalecimento regional.
Com índices de indecisão elevados, a tendência é que as próximas pesquisas definam melhor o alcance de sua candidatura. O dado concreto é que Carlos Bernardo deixou de ser apenas uma promessa regional e entrou no radar estadual como uma das principais novidades das eleições de 2026 em Mato Grosso do Sul.

