A aprovação, por unanimidade (493 votos), do projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil expôs nesta quarta-feira (1º) a face mais política do Congresso em ano pré-eleitoral.
Apresentada pelo governo Lula (PT) como medida de “justiça tributária”, a proposta foi classificada pela oposição como “manobra eleitoreira bilionária”, sem fonte real de compensação. O impacto estimado supera R$ 35 bilhões por ano para a União, com efeito direto sobre repasses a estados e municípios. “Essa conta vai estourar em 2025. O governo joga para a plateia, mas quem paga a fatura é o contribuinte e os prefeitos”, disparou um deputado do Novo.
O relator Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Casa, atuou para garantir a votação relâmpago e manteve isenção integral até R$ 5 mil. A tentativa do Executivo de compensar perdas com taxação sobre rendas acima de R$ 600 mil anuais foi considerada “meramente simbólica” pela oposição, insuficiente para cobrir metade do impacto fiscal.
Entidades como a CNM e o Comsefaz já soaram o alarme: prefeitos e governadores podem perder mais de R$ 10 bilhões por ano, comprometendo saúde, educação e segurança. “O governo enfraquece os municípios e cria desigualdade regional para ganhar fôlego político”, acusou um parlamentar do União Brasil.
Para analistas, o gesto tem endereço certo: fortalecer a imagem de Lula e consolidar terreno para a tentativa de reeleição. “O que se vende como alívio no bolso é, na prática, um ato de marketing político em ano pré-eleitoral”, resumiu um cientista político ouvido pela reportagem.
O recado que ecoou no plenário é claro: o governo aposta alto em popularidade imediata, enquanto a oposição prepara o discurso do rombo fiscal como arma para 2026.
