Novo secretário substitui Eduardo Rocha e assume papel estratégico na articulação entre governo, prefeitos e base parlamentar; movimento consolida núcleo político do governador e antecipa ajustes para o cenário eleitoral.
A nomeação de Walter Carneiro Júnior (PP) para a Casa Civil de Mato Grosso do Sul amplia o espaço político do governador Eduardo Riedel (PP) e sinaliza o início de uma nova etapa na gestão estadual — agora mais voltada à articulação partidária e à preparação para o cenário eleitoral de 2026.
O ato, publicado no Diário Oficial do Estado na segunda-feira (27), oficializou a saída de Eduardo Rocha (MDB), que deixa o cargo para se dedicar à sua pré-campanha. O movimento é visto nos bastidores como uma reorganização estratégica do tabuleiro político de Riedel, que busca consolidar alianças e garantir estabilidade na base governista.
Ao assumir a pasta, Walter Carneiro Júnior — advogado, ex-diretor da Sanesul e primeiro suplente de deputado federal — declarou que a decisão de aceitar o convite do governador foi “um gesto político” em favor da continuidade administrativa.
“Eu abri mão de um projeto pessoal, da minha candidatura a deputado federal, que já se mostrou viável, para atender a um pedido do governador e ajudar a construir um projeto de reeleição dele e de eleição do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) para o Senado”, afirmou.
Perfil político e missão estratégica
Conhecido pelo trânsito entre diferentes partidos e pela habilidade de articulação, Waltinho, como é popularmente chamado, terá a missão de conduzir a interlocução direta com prefeituras, deputados estaduais e lideranças regionais — uma função essencial em um momento de reacomodação das forças políticas em Mato Grosso do Sul.
A avaliação entre aliados é que a escolha reforça o perfil técnico-político do governo, combinando estabilidade administrativa com capacidade de diálogo. O novo secretário deverá atuar como elo entre o Executivo e os grupos partidários que integram a base, além de aproximar o governo de lideranças municipais e do interior.
Continuidade e consolidação
Em sua primeira declaração após a nomeação, Walter destacou o compromisso de manter o ritmo do projeto de desenvolvimento iniciado na gestão de Reinaldo Azambuja e expandido por Riedel.
“Aceitei o convite porque acredito no modelo de gestão que transformou Mato Grosso do Sul em referência de desenvolvimento. Hoje, o Estado vive um ciclo de crescimento com mais de R$ 120 bilhões em investimentos privados, geração de empregos e segurança institucional. Esse ambiente precisa ser preservado”, disse.
A avaliação política é que o governador aposta em continuidade e coesão, reduzindo riscos de dispersão na base aliada e fortalecendo um núcleo de confiança com foco em estabilidade até o próximo pleito.
Trajetória e base eleitoral
Natural de Dourados, Walter Carneiro Júnior tem 49 anos e acumula experiência em gestão pública e articulação institucional. Foi secretário de Fazenda de Dourados, diretor-adjunto da Semadesc, consultor técnico da Câmara dos Deputados e diretor-presidente da Sanesul, empresa que sob sua gestão figurou entre as cinco mais rentáveis do país no setor público de saneamento.
Em 2022, disputou uma vaga na Câmara Federal e obteve 39,8 mil votos, ficando como primeiro suplente do Progressistas. Sua base política em Dourados e no sul do Estado reforça a presença regional do governo Riedel, que busca ampliar a influência fora da Capital.
Herança política e capacidade de articulação
Filho do ex-deputado e ex-presidente da Assembleia Legislativa Walter Benedito Carneiro, idealizador da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), o novo secretário carrega o legado político de uma das figuras mais emblemáticas da história recente do Estado. A tradição de diálogo e construção coletiva herdada do pai é vista como uma das marcas de sua atuação.
Com trânsito entre diferentes correntes — inclusive setores da oposição —, Walter Carneiro Júnior é considerado peça-chave na engrenagem política do Palácio Guaicurus. Sua nomeação é interpretada como um movimento de fortalecimento interno do governo, que mira estabilidade política e base sólida para sustentar o projeto de reeleição em 2026.
Leitura política
Nos bastidores, a escolha de Walter Carneiro Júnior é vista como um recado claro de Eduardo Riedel: o governo entra definitivamente em fase política. Com o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) se preparando para disputar o Senado e lideranças do MDB e do PP ajustando posições, a Casa Civil ganha um perfil de comando e confiança. A presença de Walter — articulador experiente e com base consolidada em Dourados — reforça o eixo sul da política estadual e sinaliza que o grupo governista pretende chegar a 2026 com uma aliança ampla, organizada e coesa.
